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Auriculoterapia
         
AURICULOTERAPIA
 
                        Depois da fundação da nova China, o sistema médico neste país ganhou amplo e rápido desenvolvimento, que serviu de base para que no final da década de 80 ficasse instituída a auriculoterapia como especialidade dentro do estudo da acupuntura. Até então, era uma área do corpo utilizada igualmente pela acupuntura sistêmica, em virtude das pesquisas e desenvolvimento de novos protocolos aplicativos transformou-se em técnica de tratamento independente.
 
                          Auriculoterapia ou Acupuntura Auricular, ou ainda, Auriculopuntura é a arte de tratar os problemas físico-psiquicos, não no ponto onde se localiza a dor ou desconforto, mas sim por meio do microcosmo – que é o pavilhão auricular, ou simplesmente orelha, que caracteriza-se pelo formato ovóide, cuja extremidade maior se encontra voltada para cima (formato que se assemelha, de acordo com Nogier, à posição ocupada pelo feto pouco antes de nascer). Analisada sob esse ponto de vista, a localização dos pontos na orelha torna-se mais clara.
 
                            Tem-se conhecimento de mais de 200 pontos empregados no tratamento de várias moléstias e sintomatologias. O tratamento pode ser feito com agulhas (geralmente redondas e minúsculas), sementes diversas ou aparelhos e eletro-estimulação (para as pessoas que não se adaptam as agulhas).
     
                            A estimulação desses pontos reflete diretamente no córtex cerebral, no sistema nervoso central e atua no equilíbrio dos canais e meridianos nervosos do  corpo.      
         
                           A auriculoterapia foi oficializada pela OMS ( Organização Mundial da Saúde) como uma terapia de microsistema.   
                          Sempre que fazemos palestras, ou que recebemos um novo cliente, as perguntas sempre acabam voltando para: como e porque funciona a acupuntura auricular?   
 
                           Então vamos lá: não há dúvidas que a rica enervação do pavilhão auricular tem peso na obtenção de resultados terapêuticos através do uso dos pontos auriculares. O pavilhão auricular está inervado principalmente por nervos espinhais do plexo cervical como auricular maior e o occipital menor e por nervos cerebrais como o auriculotemporal, facial, glossofaríngeo, ramos do vago e do simpático. Estes quatro nervos cerebrais e dois espinhais, ramificam-se e distribuem-se em todo o pavilhão auricular, conectando-o com o Sistema Nervoso Central (SNC).  
          
                           Portanto temos:  
   
                          O Auriculotemporal que parte do ramo inferior do trigêmeo, pelo que não só guarda relação com os movimentos de deglutição e sensibilidade da face e da cabeça, como também se relaciona com a medula espinhal.    
                          O Nervo Facial controla o movimento dos músculos superficiais da face e da região das adenóides.  Do bulbo raquidiano partem o vago e o glossofaríngeo, que controlam o centro respiratório, o centro cardíaco, o centro vasomotor e o centro de secreções salivares ( o vômito e a tosse) .  
                          O auricular maior e o occipital menor comandam a atividade do tronco e os quatro membros, os movimentos musculoesqueléticos e o movimento dos órgãos e das vísceras.  Ou seja, através dos nervos que chegam ao pavilhão auricular podemos influenciar todo o resto do soma.Os múltiplos métodos de estímulo usados no pavilhão auricular provocam a excitação de numerosos receptores, especificamente receptores dolorosos , os que enviam o impulso até o núcleo do trato medular do nervo trigêmeo, onde posteriormente é enviado à estrutura reticular do tronco cerebral.     
 
                          O centro reticular compreende uma estrutura formada por neurônios ao longo do tronco cerebral e que vão do bulbo ao tálamo. Esta estrutura reticular tem uma composição característica,na qual, este sistema neuronal possui um alto grau de agrupamento dos impulsos nervosos, pelo que nesta região, cada impulso regulador da atividade dos órgãos internos e regulador a nível sensorial, desempenha um importante papel.        
   
                           As células do núcleo reticular estão conformadas por neurônios de associação do tronco cerebral, elas além de relacionar os impulsos do cérebro e da medula, também relacionam as fibras aferentes dos segmentos superiores e inferiores do trono cerebral, recebem inumeráveis impulsos dos ramos laterais do trato e volta a envia-los deste até o córtex; assim, desta maneira, a estrutura reticular elabora um sistema especial de síntese de sinais, que nos permite considerar à mesma como um viabilizador da ação da auriculopuntura no sistema nervoso, não só no tratamento da dor, como também, na regulação da atividade dos órgãos internos.      
    
                           O funcionamento básico dos pontos auriculares não se subscreve somente a um ramo de um nervo em específico, nem para seu uso diagnóstico, nem terapêutico. O sistema de nervos que inerva o pavilhão auricular desempenha um papel importante, mas não determinante na função dos pontos, esta depende de regras específicas e características particulares segundo combinação de várias estruturas complexas, através das quais se relaciona com o resto do sistema e desta maneira, influencia e regula cada centro.    
  
                          Existe uma interface entre pontos miótomos e dermátomos, interferindo aí um complexo sistema de envio e recebimento de informações.               
                                                                               Mario Rodrigues 
                                          

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