Constantemente , em consultório, sou questionado pelas (os) clientes do porquê, de um simples anel no dedo anular esquerdo em determinados momentos criar tantas obrigações, outros criar incômodos, e outros ainda sentirmos preso a alguém; já que existem tantos outros adereços colocados pelo corpo, e os mesmos não nos transtornar pelos simbolismos a eles ligados.
Óbvio, bradarão os ascetas religiosos , foi benzida e sagrada pela igreja. Também virão em meu socorro os guardiãs da responsabilidade moral, respondendo que foi realizada uma promessa de juramento.
Não querendo ser céptico , mas explicando pela visão de um pesquisador em neurociência e especialista em psicossomática , colocarei os devidos pingos nas letras necessárias para dessa forma, ficar mais fácil a consulta pelos curiosos e interessados. E sem esquecer, mostrando a mensagem subliminar contida nesse “simples anel”.
Vamos lá: -
O círculo é a figura geométrica que tem em seu interior a maior capacidade volumétrica , quando comparado a outras figuras geométricas do mesmo tamanho ( coloque dentro dele outras figuras, e verá) , portanto representa quantidade.. E sem canto, inicio ou fim, sua linhas são interligadas sem dobras, portanto eternamente rodando sob o mesmo ponto.
E os gregos pregavam que a veia que passa pelo dedo anular esta ligada diretamente ao coração ( sede do amor) sem intersecções, portanto o melhor dedo para se usar a aliança e simbolizar o amor praticado pelos contratantes ( cônjuges)
Então temos os egípcios, usando o anel para simbolizar união desde 3.200 a.C. , e os gregos escolhendo o dedo a ser utilizado. Sendo ouro o metal escolhido, temos a representatividade do amarelo ( a riqueza, o brilho, o poder da masculinidade) .
Essa tradição passou aos romanos e, por conseguinte à igreja.
Cumpria então duas funções, a igreja mantinha os nubentes compromissados por chantagem moral , e toda a sociedade via ( ao olhar para a mão), que aquela pessoa já tinha um (a) proprietária (o) . E, por conseguinte, quanto mais pessoas utilizando o anel de ouro, mais o masculino seria imposto e aceito ( subliminarmente) como mandante.
Antigamente usava-se a palavra anel de ouro, somente depois de 1550- na França- é que surgiu a palavra alliance e virou aliança para nós.
O dedo anular está relacionado com o tórax e com o estômago, sede da saudade e melancolia, pela leitura de evolução do corpo humano, onde consideramos todos os elementos da natureza. Acredito que dá para entender porque o uso das alianças provoca melancolia, saudade do outro, angustia em um relacionamento.
O nosso sistema nervoso periférico, esta ligado ao central, e possui uma ramificação de 90 quilômetros de nervos,e uma dessas ramificações passa pelo dedo anular, e é a ramificação do triplo aquecedor, que é a responsável por nos dar energia interna, e calor para abastecer o fogo interior. Acredito que também dá para entender do por que sentimos a falta do outro e o vício de ter esse alguém ao nosso lado.
Portanto, percebeu as formas de criar uma prisão psíquica e subliminar entre duas pessoas.
O "por quê?" e o "como?"
Nem sempre a ciência pode ou mesmo tenta ou deve explicar o porquê das coisas, Marcelo Gleiser é professor de física teórica do Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "O Fim da Terra e do Céu".
Uma das percepções mais comuns da ciência é que ela tem o dever de explicar o porquê de tudo. Por exemplo, por que o céu diurno é azul e não amarelo ou laranja? Por que a Terra gira em torno do Sol e não o contrário, como se pensava até 400 anos atrás?
Por que existe vida na Terra e não em Vênus? Por que algumas pessoas têm olhos azuis e outras, castanhos?
Na prática, no entanto, a situação é mais complicada: existem dois tipos de pergunta, o "por quê?" e o "como?".
Nem sempre a ciência pode ou mesmo tenta ou deve explicar o porquê das coisas. Perguntas do tipo "como" são, em geral, muito mais apropriadas à missão da ciência de descrever a realidade em que vivemos.
Eis um exemplo extremo. Por que o Universo surgiu? Não há como responder a essa questão cientificamente. E por que não? Porque a pergunta não é científica. Ela implica numa suposta intenção, uma teleologia que simplesmente não pertence ao discurso científico.
Porém, a pergunta "como surgiu o Universo?" É bem mais apropriada, embora altamente complexa. Mesmo que não tenhamos uma resposta, não é absurdo achar que ela exista e que um dia seja encontrada.
Outro exemplo, mais concreto: no século 17, o inglês Isaac Newton desenvolveu uma teoria da gravidade baseada no seguinte fato: todos os objetos materiais no Universo, como você, os planetas e as estrelas, exercem uma atração sobre todos os outros objetos-atração esta proporcional à magnitude de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que existe entre eles.
Portanto, corpo A com massa MA e corpo B com massa MB exercem atração mútua com uma força proporcional a MAxMB, o produto das duas massas. Imagino que alguns leitores se surpreendam com isso e se perguntem: isso significa que estrelas distantes estão me atraindo e eu a elas? Sim. E por que não voamos na direção delas? Porque felizmente a força cai com o quadrado da distância. Para nós, seres terrestres, a atração da Terra domina de longe todas as outras.
A teoria de Newton é extremamente bem-sucedida, explicando uma série de observações e fenômenos que presenciamos no nosso dia-a-dia. Por exemplo, ela demonstra que a trajetória de uma bala de canhão ou de uma pedra atirada para frente é parabólica e que as órbitas dos planetas em torno do Sol são elipses. Com isso, é possível calcular com altíssima precisão os movimentos terrestres e celestes que dependem da força da gravidade. Mesmo assim, essa é uma teoria do "como" e não do "por quê".
Uma das críticas que se fez ainda no tempo de Newton é que essa atração à distância entre o Sol e os planetas, ou entre uma pedra e a Terra, é muito misteriosa.
Quando perguntaram a ele por que massas se atraem, respondeu que preferia não inventar hipóteses sobre o assunto: uma teoria científica pode se contentar em descrever com alta precisão como os planetas seguem suas órbitas celestes ou qual a trajetória de um foguete sem ter que explicar por que massas se atraem.
Isso pode frustrar aqueles que precisam de uma explicação completa e absoluta de tudo, mas não frustra os cientistas. Essa diferença de opinião vem de uma expectativa distorcida do que seja a ciência.
Muitos acham que, como a ciência explica racionalmente tantas coisas que antes eram "explicadas" pela religião, deveria mesmo explicar tudo, como o faz a religião.
No entanto, a proposta da ciência é bem mais humilde: basta explicar "como". O que fazemos é desvendar as regras que regem a realidade, não explicar por que elas existem.
artigo de Marcelo Gleiser
O PRINCÍPIO 90 / 10
Stephen Covey
Que princípio é este? Os 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você, os outros 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você. O que isto quer dizer? Realmente, nós não temos controle sobre 10% do que nos sucede. Não podemos evitar que o carro enguice, que o avião atrase, que o semáforo fique no vermelho. Mas, você é quem determinará os outros 90%. Como? Com sua reação. Exemplo:
Você está tomando o café da manhã com sua família.Sua filha, ao pegar a xícara, deixa o café cair na sua camisa branca de trabalho. Você não tem controle sobre isto. O que acontecerá em seguida será determinado por sua reação. Então, você se irrita. Repreende everamente sua filha e ela começa a chorar. Você censura sua esposa por ter colocado a xícara muito na beirada da mesa. E tem prosseguimento uma batalha verbal.
Contrariado e resmungando, você vai mudar de camisa. Quando volta, encontra sua filha chorando mais ainda e ela acaba perdendo o ônibus para a escola.
Sua esposa vai pro trabalho, também contrariada. Você tem de levar sua filha, de carro, pra escola. Como está atrasado, dirige em alta velocidade e é multado. Depois de 15 min. de atraso, uma discussão com o guarda de trânsito e uma multa, vocês chegam à escola, onde sua filha entra, sem se despedir de você. Ao chegar atrasado ao escritório, você percebe que esqueceu de sua maleta. Seu dia começou mal e parece que ficará pior. Você fica ansioso pro dia acabar e quando chega em casa, sua esposa e filha estão de cara fechada, em silêncio e frias com você.
Por quê?
Por causa de sua reação ao acontecido no café da manhã.
Pense: por quê seu dia foi péssimo?
A) por causa do café?
B) por causa de sua filha?
C) por causa de sua esposa?
D) por causa da multa de trânsito? E) por sua causa?
A resposta correta é a E. Você não teve controle sobre o que aconteceu com o café, mas o modo como você reagiu naqueles 5 minutos foi o que deixou seu dia ruim.
O café cai na sua camisa. Sua filha começa a chorar. Então, você diz a ela, gentilmente: "Está bem, querida, você só precisa ter mais cuidado". Depois de pegar outra camisa e a pasta executiva, você volta, olha pela janela e vê sua filha pegando o ônibus. Dá um sorriso e ela retribui, dando adeus com a mão.
Notou a diferença? Duas situações iguais, que terminam muito diferente. Por quê? Porque os outros 90% são determinados por sua reação.
Aqui temos um exemplo de como aplicar o Princípio 90/10. Se alguém diz algo negativo sobre você, não leve a sério, não deixe que os comentários negativos te afetem. Reaja apropriadamente e seu dia não ficará arruinado.
Como reagir a alguém que te atrapalha no trânsito? Você fica transtornado? Golpeia o volante? Xinga? Sua pressão sobe? O que acontece se você perder o emprego? Por quê perder o sono e ficar tão chateado? Isto não funcionará. Use a energia da preocupação para procurar outro trabalho. Seu vôo está atrasado, vai atrapalhar a sua programação do dia. Por quê manifestar frustração com o funcionário do aeroporto? Ele não pode fazer nada. Use seu tempo para estudar, conhecer os outros passageiros. Estressar-se só piora as coisas.
Agora que você já conhece o Princípio 90/10, utilize-o. Você se surpreenderá com os resultados e não se arrependerá de usá-lo. Milhares de pessoas estão sofrendo de um stress que não vale a pena, sofrimentos, problemas e dores de cabeça. Todos devemos conhecer e praticar o Princípio 90/10. Pode mudar a sua vida!
Para complementar o texto, segue uma historinha....
"O colunista Sydney Harris acompanhava um amigo à banca de jornal. O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como retorno recebeu um tratamento rude e grosseiro. Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, o amigo de Sydney sorriu atenciosamente e desejou ao jornaleiro um bom final de semana.
Quando os dois amigos desciam pela rua, o colunista perguntou: - Ele sempre te trata com tanta grosseria?
- Sim, infelizmente é sempre assim.
- E você é sempre tão atencioso e amável com ele?
- Sim, sou. - Por que você é tão educado, já que ele é tão rude com você? - Porque não quero que ele decida como eu devo agir. Nós somos nossos próprios donos".
Não devemos nos curvar diante de qualquer vento que sopra, nem estar à mercê do mau humor, da mesquinharia, da impaciência e da raiva dos outros. Não são os ambientes que nos transformam, e sim nós que transformamos os ambientes.
NINGUÉM PODE ESTRAGAR O SEU DIA, A MENOS QUE VOCÊ PERMITA
Tecnologia Médica, vida e morte dignas
Cientistas tentam alertar para as conseqüências da primazia da técnica subordinada crescentemente ao lucro privado, e não a uma concepção de saúde verdadeiramente pública e plena de valores e significados.
Gilberto Dupas, presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI) e coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP, é autor de vários livros, entre eles o recém-lançado "O Mito do Progresso" (Unesp), explica:
O avanço da tecnologia tem feito a ciência médica adquirir uma auréola mágica que inibe a crítica e a coloca acima da razão e da moral.
Discursos laudatórios sobre o aumento da expectativa de vida média da humanidade, novas competências na cura de alguns cânceres e os maravilhosos transplantes de órgãos parecem desqualificar como absolutamente sem sentido qualquer restrição à maneira como avançam as tecnologias da saúde, transformadas em sinônimos de progresso.
Pesquisadores e cientistas importantes tentam alertar para as conseqüências dessa primazia de uma técnica subordinada crescentemente ao lucro privado, e não a uma concepção de saúde verdadeiramente pública e plena de valores e significados.
Os diagnósticos de saúde apertam cada vez mais os "índices máximos" permitidos para um indivíduo médio ser considerado sadio, reforçando recomendação de medicação preventiva para "atenuar riscos".
Importante especialista internacional da área de check-ups, empolgado com seus recursos bioeletrônicos de última geração, declarou recentemente, em um congresso da área médica, que não há indivíduos sãos, apenas doenças ainda não diagnosticadas.
O imperativo da medicalização está estreitamente atrelado à lógica de retorno do investimento da pujante indústria do setor de saúde, hoje muito concentrada e transnacional.
Frank Furedi, professor da Universidade de Kent (Inglaterra), explica que até questões "existenciais" estão a receber nomes de doenças e drogas específicas para o seu "tratamento". É o caso da velha timidez, agora diagnosticada como "fobia social". Até paixão amorosa virou doença a ser tratada.
Ele lembra que, quando um "rótulo médico" é fixado, a indústria farmacêutica cria uma nova pílula específica. Uma criança tem problemas de conduta na escola e é encaminhada para um serviço médico, que detecta fobias noturnas e enurese. "Normalizada" em seus sintomas com uma "droga lícita", ela é considerada um caso "resolvido".
Os estímulos da medicalização estão nos outdoors de todas as cidades do mundo: "Disfunção erétil agora tem solução. Consulte o seu médico" ou "Você já pode ser tão esbelta quanto a modelo ao lado. Procure um especialista".
Quase não há mais preocupação sobre se o sexo na adolescência é prazeroso e psíquica ou moralmente adequado, desde que seja feito com preservativo.
O uso de drogas para tratar distúrbio de hiperatividade por déficit de atenção mais que dobrou de 2000 para 2004 na idade de 20 a 44 anos. Mas não há preocupação sistemática para identificar por que as crianças estão mais hiperativas ou as pessoas, mais desatentas ou impotentes.
Mais de US$ 0,5 bilhão em propaganda colocaram o Viagra e assemelhados entre as drogas de maior venda nos EUA. Sete anos após há uma queda forte no consumo e surgem hipóteses que relacionariam o uso da droga com formas raras de cegueira.
No caso famoso do antiinflamatório Vioxx, o New England Journal of Medicine levantou suspeitas de que dados de resultados de teste clínico básico foram omitidos, diminuindo a importância dos riscos para o coração.
Finalmente, pesquisa feita pela revista científica britânica Nature revelou que vários especialistas médicos que recomendam as regras de prescrição recebem estímulo financeiro da própria indústria.
A medicina tecnocientífica transformou o nascimento de uma criança, de uma função fisiológica para a qual o organismo da mulher esteve desde sempre preparado, num evento fundamentalmente cirúrgico-hospitalar.
Como lembra Vera Iaconelle, o corpo humano passa a ser considerado incapaz e necessitado de "constantes correções de seus desvios biológicos”
Donald Winicott já dizia que médicos são muito necessários quando algo dá errado. Mas eles "não são especialistas nas questões relativas à intimidade, vitais tanto para a mãe quanto para o bebê", que precisam apenas de "recursos ambientais que estimulem a confiança da mãe em si própria" - o oposto do que faz o aparato médico- clínico geral - que examinava as dores do ser humano, e não só a doença - deu lugar ao especialista, que pode olhar para as muitas áreas que ignora com a arrogância de sábio da pequena área que de fato domina, e com olhar mecanicista de um analista cirúrgico. O de audiência.
E o desprezo por técnicas alternativas é uma característica comum da medicina contemporânea. Só recentemente as normas hospitalares reconheceram que crianças saram mais depressa em ambiente hospitalar quando suas mães podem ficar com elas, ou quando há acesso a salas com jogos e pequenas diversões. Enquanto isso, hospitais de periferia, carentes de recursos, substituem com enorme vantagem as caríssimas, invasivas e "frias" incubadoras pelas técnicas milenares da "mãe-canguru".
Finalmente, novas técnicas de manutenção de vidas "artificializadas" foram desenvolvidas e agridem o senso comum. É o reinado das UTIs.
A morte digna cercada pelos familiares, aspiração atávica da humanidade, desapareceu quase por completo. Os doentes atuais morrem mais sós e mais lentamente, sedados para suportar a agressão de tubos e agulhas.
E as famílias ficam mais pobres. A reação da sociedade começa a ser sentida nas ações judiciais tentando garantir o direito do doente de determinar de que forma quer morrer. Afinal, esse é o direito derradeiro do indivíduo, uma escolha que nem a equipe médica mais qualificada pode fazer.
Gilberto Dupas
A medicina contemporânea muitas vezes salva e prolonga vidas, mas também gera um imenso exército de mortos-vivos que perambulam pelos ambulatórios ou vivem presos a tubos de UTIs. Ninguém é eterno.
É preciso tentar perguntar a todos os pacientes nessa condição se ainda lhes interessa viver, se a qualidade de vida que levam vale a pena. Cada um tem o direito a dar sua resposta.
CARTA DA TERRA
Pela SIQUEIRA E RODRIGUES
FAÇA A SUA PARTE
CONSIDERANDO QUE, DEIXAMOS O PLANETA NESTA SITUAÇÃO ATUAL E COLABORAMOS PARA TAL;CONSIDERANDO QUE, JÁ PASSAMOS POR AQUI DIVERSAS VIDAS E NADA FIZEMOS;
CONSIDERANDO QUE, NOSSOS FILHOS E NETOS TERÃO OUTRAS PREOCUPAÇÕES INERENTES À ÉPOCA DELES;
CONSIDERANDO QUE, FIZEMOS, ESTRAGAMOS, USAMOS, AGORA TEMOS DE REVITALIZAR;
CONSIDERANDO QUE, SOMOS RESPONSÁVEIS PELO QUE CATIVAMOS, E PELO QUE DEPRAVAMOS;
EMITIMOS ESTA CARTA:
O PLANETA TERRA ESTA AGONIZANDO E O SER HUMANO EM EXTINÇÃO, FAÇA A SUA PARTE PARA SALVÁ-LO.
1- NÃO LAVE A CALÇADA NEM O QUINTAL, SÓ VARRA COM VASSOURA!
2- NÃO DESPERICE ÁGUA!
3-TOME BANHO DE OITO MINUTOS !
4-NÃO LAVE AUTOMÓVEIS, SO ESPANE O PÓ.
5- PLANTE UMA ÁRVORE A CADA 15 DIAS (JARDIM, QUINTAL, PRAÇA, ESTRADA, CALÇADA, TERRENO VAZIO E OUTROS)
6- REDUZA A UTILIZAÇÃO DE CARRO EM 50 % ( VÁ DE TRANSPORTE COLETIVO, A PÉ ) DÊ E PEÇA CARONA!
7- NÃO FAÇA CHURRASCO, FOGUEIRAS OU ACENDA LAREIRAS!
8- NÃO JOGUE PILHAS E BATERIAS NO LIXO.
9- PREFIRA EMBALAGENS DE PAPEL E PAPELÃO!
10- FAÇA CAMPANHA EM SEU BAIRRO PARA AS INDUSTRIAS LOCAIS DIMINUIREM A EMISSÃO DE POLUENTES.
11- NÃO CIMENTE TODO O SEU QUINTAL E CALÇADA, DEIXA A MAIOR PARTE POSSIVEL EM TERRA
12-LAVE SUA LOUÇA, SEM DETRITOS DE ALIMENTOS E SEMDEIXAR A TORNEIRA ABERTA A ACASO.
13- NÃO JOGUE ÓLEO DE COZINHA NA PIA.
14-ESCOVE OS DENTES COM A TORNEIRA FECHADA
15- LIXO É NO CESTO OU LIXEIRA, NUNCA RUA OU CALÇADA!
16-FAÇA A SUA PARTE SEM SE IMPORTAR SE ESTÃO OLHANDO, O EXEMPLO VÊM DA PRÁTICA E NÃO DA FALA !
17-NÃO COMPRE PRODUTOS DE EMPRESAS OU LOCAIS ONDE NÃO É RESPEITADO O PLANETA!
18-NÃO USE PROTETOR SOLAR, OBRIGUE A EMPRESA, FABRICANTE DO MESMO, A DIMINUIR OS POLUENTES ATMOSFÉRICOS !
19- PRATIQUE CAMINHADA NAS RUAS E CALÇADAS, SÃO OS VEICULOS QUE POLUEM NÃO VOCÊ !
20-NÃO USE REMÉDIOS PARA LIMPAR O NARIZ, OBRIGUE AS EMPRESAS, FABRICANTES DO MESMO, A DIMINUIR OS POLUENTES ATMOSFÉRICOS!
21-NÃO USE VACINAS E COMPLEXOS VITAMÍNICOS, OBRIGUE OS FABRICANTES, DOS MESMOS, A DIMINUIREM OS POLUENTES E COMA ALIMENTOS SAUDÁVEIS E NATURAIS
22-NÃO COMPRE ALIMENTOS ESCRITOS NA EMBALAGEM “NATURAL”, PORQUE OS QUE O SÃO , NÃO NECESSITAM ESCREVER!
23-COMPRE E UTILIZE SOMENTE O NECESSÁRIO PARA VIVER, O RESTANTE É CONSUMO SUPÉRFLUO
24-SE ALIMENTE COM CALMA E MODERAÇÃO, CONSUMIMOS 40% A MAIS POR PRESSA E ANSIEDADE!
25- NÃO COMPRE PNEUS IMPORTADOS REMOLDADOS, ESTÃO FAZENDO O SEU QUINTAL DE LIXEIRA !
26-NÃO COMPRE PRODUTOS PERFUMADOS, SÓ PIORAM A SUA SAÚDE, E A DO PLANETA!
27-VÁ ÀS COMPRAS, MAS NÃO TRAGA SACOLAS, SOMENTE UMA COM TUDO !
28- NÃO DEIXE CONSTRUIR EM PRAÇAS PÚBLICAS, EXIJA AS CALÇADAS LIVRES E ARBORIZADAS, EXIJA ESTRADAS , AVENIDAS E RUAS RODEADAS DE VERDE
SIQUEIRA E RODRIGUES NATUROLOGIA
O PLANETA
O QUE UM HOMEM IGNORA, O OUTRO SABE.
O QUE NÃO É CONHECIDO EM UM PAÍS , O É EM OUTRO.
TODO O CONHECIMENTO DE QUE UM HOMEM É CAPAZ , SERIA SIMULTANEAMENTE CONHECIDO POR TODOS, SE TODOS FÔSSEMOS LIVRES.
NÃO SOMOS INVENTORES, SOMENTE DESCOBRIDORES DO QUE JÁ EXISTE, E É DE PATRIMÔNIO ANCESTRAL DA HUMANIDADE.
O SER HUMANO CONSEGUE, CONSULTANDO A UM ARQUIVO MÓRFICO, ACESSAR CONHECIMENTOS E SABEDORIAS, QUE O TRANSFORMA EM“INVENTOR”DE TAL.
QUANDO NA REALIDADE, NADA FOI INVENTADO, JÁ EXISTIA, SÓ DESCOBRIMOS OU CLAREAMOSA PRESENÇA DE TAL.
O SER HUMANO NA ÂNSIA DO SUCESSO FÁCIL, NA GANÂNCIA DA EXCLUSIVIDADE, NA NECESSIDADE IGNÓBIL DE ACUMULAR RIQUEZAS E PODER, CREDITA PARA SI A “ ÏNVENÇÃO”.
QUE BOM SERIA, SE TODOS FÔSSEMOS LIVRES, NÃO PRECISÁSSEMOS DE REGISTROS, DE PODER, DE POSSE, DE TER, DE POSSUIR;DE ACUMULAR EXATAMENTE O QUE NÃO PRECISAMOS.
CADA QUAL É DONO DE SUA VIDA, DE SEU CORPO, DE SUA EXISTÊNCIA, ENFIM DAQUILO QUE ESCOLHEU VIVENCIAR E APRENDER AQUI NESTA DIMENSÃO FÍSICA E ESPIRITUAL.
QUE BOM SERIA SE O AMOR FRATERNO, ALÉM DE PREGADO E IDOLATRADO, FÔSSE UTILIZADO, COLOCADO EM PRÁTICA.
CADA QUAL SE RESPONSABILIZANDO POR SI, HARMONIZANDO E CUIDANDO DO SEU ESPAÇO E DO SEU CORPO.
QUE BOM SERIA, ESSE PEQUENO NÚCLEO – A PESSOA -, ESTANDO FELIZ E HARMONIZADO, CENTRADO E EQUILIBRADO, RESOLVENDO OS SEUS PROBLEMAS E DEFEITOS.
CADA QUAL RESOLVIDO, UM A UM , EM SEU CANTO E LUGAR; SUA AURA, SEU CAMPO MAGNÉTICOVIBRANDO POSITIVA E IMENSAMENTE, MUDARIÁMOS TUDO A NOSSA VOLTA, EM NOSSO MUNDO, EM NOSSO PLANETA, EM NOSSA ATMOSFERA, EM NOSSA GALÁXIA.
BILHÕES E BILHÕES DE PESSOAS, VIBRANDO DESSA FORMA, COM CERTEZA, O PLANETA TERRA, SERIA MAIS AZUL, MAIS DOURADO, MAIS AMARELO, MAIS PURO, MAIS INTENSO, TANTOS MAIS POR AI AFORA, QUE COM CERTEZA O COSMOS TAMBÉM O SERIA.
É TÃO FÁCIL RESOLVER O PROBLEMA DO PLANETA.
PARECE..., DIRIAM OUTROS; DO QUE ADIANTA EU FAZER SE O PRÓXIMO NÃO O FAZ ?
CONTINUO AFIRMANDO, É TÃO FÁCIL, FÁÇAMOS A NOSSA PARTE, OS OUTROS FARÃO POR CONSEGUINTE A DELES, PRATIQUEMOS, OS OUTROS PRATICARÃO O LADO DELES.
EM UM MONTE DE SUJEIRA, NÃO ADIANTA DESPEJAR MAIS EM CIMA – NÃO VAI SUMIR OU LIMPAR -, MAS SE PEGARMOS UMA PÁ DE LIXO, SE ABAIXARMOS E JUNTARMOS COM A MÃO, SE EMPURRARMOS COM O PÉ ATÉ UM RECIPIENTE DE LIMPEZA, ENFIM SE LIMPARMOS O NOSSO CANTO CONSEGUIREMOS DEIXAR O LOCAL LIMPO E PERFUMADO.
O BRILHO A ENERGIA, A SIMPLICIDADE, O QUE EMANAREMOS DESTE CANTINHO, SERÁ SENTIDO PELOS QUE ESTÃO À VOLTA.
E COM CERTEZA, A PLENITUDE DESTE ATO, A SOBRIEDADE DO MESMO, A TRANQUILIDADE EMANADA POR NÓS, A SAÚDE PLANTADA COM O MESMO, IRÁ INFLUENCIAR, IRÁ DESTACAR UM PONTINHO DE “INVEJA” EM OUTROS, QUE IMITARÃO, DESEJARÃO E ACABARÃO POR COLOCAR EM PRÁTICA.
EXISTE A GUERRA PELO PODER, A NECESSIDADE DE ACUMULAR AUTORIDADE, O DONO DA VERDADE, O SUPERIOR, O MAIOR, O MAIS IMPORTANTE, O MAIS LUCRATIVO, O DE MAIOR PODERIOR BÉLICO, EXISTE SEMPRE O MAIS E O MAIOR.
SEMPRE O SER HUMANO PROCURANDO POLARIDADE, E SE MOSTRANDO DIFERENTE. E SEMPRE O SER HUMANO IGUAL AO PRÓXIMO, NA MESMA IGNOBILIDADE, NA MESMA HIPOCRISIA.
É PROIBIDO MATAR, MAS MATO PORQUE ESTOU CERTO.
É PROIBIDO ROUBAR, MAS ROUBO PARA DEFENDER O MEU PAÍS,O MEU LAR, O MEU DIREITO.
É PROIBIDO INVADIRO DIREITO DO PRÓXIMO, MAS INVADO PORQUE TENHO DINHEIRO, PORQUE SOU MAIS PODEROSO.
É PROIBIDO O RACISMO, MAS FAZEMOS RESERVAS DE TERRENOS, DE VAGAS, DE LUGARES, DE ESPAÇOS, DE NORMAS LEGAIS, PARA DETERMINADAS PESSOAS E RAÇAS.
É PROIBIDO INVADIR A FILOSOFIA E RELIGIÃO DO PRÓXIMO, MAS GUERREAMOS PORQUE A FILOSOFIA E RELIGIÃO DO PRÓXIMO NOS INCOMODA.
SE OS FALSOS VALORES, SE A HIPOCRISIA, O MAU CARATISMO, SE AS FALSAS PREGAÇÕES ACABASSEM, COMO SERIA A TERRA.
SE DEIXARMOS DE QUERER LEVAR VANTAGENS, COMO SERIA A TERRA.
SE AS REGRAS E LEIS, VALESSEM PARA TODOS DE FORMA IGUAL, SEM RESERVAS, OU RESGUARDOS, COMO SERIA A TERRA.
SE CUIDÁSSEMOS DE NOSSAS VIDAS, DO NOSSO RESPEITO, COMO SERIA A TERRA.
SE NÃO TIVÉSSEMOS RELIGIÕES, SEITAS, PARTIDOS,PAÍSES,COMO SERIA A TERRA.
SE NÃO NOS IMPORTÁSSEMOS COM AS ATITUDES DO PRÓXIMO,DANDO EXCESSIVO VALOR ÀS MESMAS, COMO SERIA A TERRA.
SE NÃO DISPENDESSEMOS ENERGIA PARA COM COISAS E VALORES, ATITUDES E GESTOS, QUE NA REALIDADE DEVERIAM RECEBER DESPREZO, COMO SERIA A TERRA.
QUE BOM SERIASE A TERRA, FOSSE COMO O INFINITO CÓSMICO:
VÁRIOS PLANETAS, DE DIFERENTES DIMENSÕES, DE DIFERENTES VELOCIDADES, DE VÁRIAS CORES E ASPECTOS; MAS GIRANDO ENTRE SI DE FORMA HARMÔNICA E SILENCIOSA.
DE UM SILÊNCIO TÃO GRANDE, DE UMA CUMPLICIDADE E FRATERNIDADE ESPANTOSA, EMBORA CADA QUAL, COM SUA ATMOSFERA, COM SUAS DEFICIÊNCIAS, COM SUAS QUALIDADES.
MAS UM NECESSITANDO DO MAGNETISMO E ENERGIA DO OUTRO, PARA PODER GIRAR EM PAZ E VIVER LÁ, EXATAMENTE LÁ EM SEU CANTINHO, EMBORA PRECISANDO E USANDO, ASSIM COMO DOANDO, DA ENERGIA DO OUTRO.
QUE BOM SERIA SE A TERRA.
QUE BOM SERIA SE O PLANETA....
MELHOR, QUE BOM É O PLANETA ! ! !
ADAPTAÇÃO MARIO RODRIGUES
Como as indústrias farmacêuticas "enganam" as publicações médicas
Antony Barnett
Gigantes farmacêuticas contratam autores fantasmas para produzir artigos — e colocam nomes de médicos neles
Centenas de artigos em periódicos médicos, que deveriam ter sido escritos por acadêmicos ou médicos, foram escritos por autores — fantasmas contratados por laboratórios farmacêuticos, como revela uma investigação da publicação The Observer.
Esses periódicos, bíblias da profissão, exercem enorme influência sobre quais medicamentos os médicos receitam e o tratamento proporcionado pelos hospitais. Porém, o periódico The Observerobteve provas de que muitos artigos escritos por assim chamados "acadêmicos independentes", podem ter sido escritos por autores a serviço de agências, que recebem grandes somas das indústrias farmacêuticas para fazer propaganda dos seus produtos.
Estimativas sugerem que, quase metade de todos os artigos publicados em periódicos, são de autoria de escritores-fantasmas. Enquanto os médicos que colocaram seus nomes nesses trabalhos são geralmente muito bem pagos por '"emprestar" sua reputação, os escritores-fantasmas permanecem ocultos. Seu envolvimento com as indústrias farmacêuticas raramente são revelados. Esses trabalhos, endossando certos medicamentos, são exibidos perante os clínicos como pesquisa independente para persuadi-los a receitar os medicamentos.
Em fevereiro, o New England Journal of Medicine, foi forçado a revogar um artigo publicado no ano anterior, por médicos do Imperial College, em Londres, e do National Heart Institute, sobre o tratamento de um tipo de problema cardíaco. Veio à tona o fato de que vários dos autores arrolados tinham pouca ou nenhuma relação com a pesquisa. A fraude somente foi revelada quando o cardiologista alemão, o Dr. Hubert Seggewiss, um dos oito autores relacionados, telefonou para o editor do periódico para dizer que nunca tinha visto qualquer versão do trabalho publicado.
Um artigo publicado em fevereiro de 2003 no Journal ofAlimentary Pharmacology, especializado em distúrbios do estômago, envolveu um autor trabalhando para o gigante farmacêutico Astra Zeneca — um fato que não foi revelado pelo autor. O artigo, escrito por um médico alemão, reconhecia a "contribuição" da Dra. Madeline Frame; porém, não admitia a sua condição de autora sênior da Astra Zeneca. O artigo apoiava o uso de um medicamento chamado Omeprazole — de fabricação da Astra Zeneca — indicado para úlceras gástricas, apesar de pareceres revelando mais reações adversas do que os medicamentos similares.
Poucos dentro da indústria têm coragem suficiente para romper o silêncio. Entretanto, Susanna Rees, assistente editorial de uma agência de trabalhos sobre medicina até 2002, ficou tão preocupada com o que tinha testemunhado, que mandou uma carta para o website do British MedicalJournal.
“As agências que escrevem artigos médicos fazem tudo que é possível para esconder o fato de que os trabalhos que escrevem e submetem a periódicos e eventos são escritos por fantasmas a serviço das empresas farmacêuticas e não pelos autores apontados”, escreveu ela. “O sucesso desses trabalhos-fantasmas é relativamente alto — não enorme, mas consistente”. Susanna Rees disse que, como parte do seu trabalho, ela devia assegurar que em nenhum artigo a ser eletronicamente submetido tivesse qualquer vestígio quanto à origem da pesquisa. “Um procedimento padrão que usei estabelece que, antes que um trabalho seja submetido a um jornal eletronicamente ou em disco, o assistente editorial precisa abrir o arquivo do documento no Word e eliminar os nomes da agência responsável pela redação ou da agência de autores-fantasmas ou da companhia farmacêutica e substituí-los pelo nome e a instituição da pessoa que foi convidada pela indústria farmacêutica (ou da agência que atua em seu nome), a ser apontada como autor principal, embora não tenha contribuído para o trabalho”, escreveu ela. Quando entraram em contato, ela se recusou a dar detalhes. “Assinei um acordo de confidencialidade e estou impedida de fazer comentários”, disse ela.
Um autor que tem trabalhado para diversas agências, não quis ser identificado por receio de não conseguir trabalho novamente. “É verdade que algumas vezes a empresa farmacêutica paga um autor de assuntos médicos para escrever um artigo apoiando um medicamento em particular” disse ele. “Isso significa usar toda a informação publicada para escrever um artigo explicando os benefícios de um tratamento em particular. Depois, um médico conhecido será procurado para assinar o trabalho. Esse será submetido a um periódico sem que alguém saiba que um autor-fantasma ou uma indústria farmacêutica está por trás disso. Eu concordo que isso seja provavelmente antiético, mas todas as empresas estão fazendo isso”.
Um campo onde os artigos-fantasmas vem se tornando um problema crescente é a o da psiquiatria. O Dr. David Healy, da Universidade de Wales estava realizando pesquisas sobre os possíveis perigos dos antidepressivos, quando o representante de um fabricante de medicamentos lhe mandou uma mensagem por e-mail oferecendo ajuda. A mensagem, vista peloThe Observer, dizia: “Para reduzir a sua carga de trabalho a um mínimo, pedimos que nosso autor-fantasma produzisse um rascunho baseado no trabalho publicado por V.S.a. Veja o anexo”. O artigo era uma resenha de 12 páginas a ser apresentada em um evento em data próxima. O nome do Dr. Healy aparecia como único autor, embora nunca tivesse visto uma única palavra desse trabalho antes. Como não gostou da brilhante resenha do medicamento em questão, ele sugeriu algumas mudanças.
O fabricante respondeu, dizendo que ele não tinha notado alguns pontos “comercialmente importantes”. O trabalho-fantasma apareceu finalmente no congresso e em um periódico psiquiátrico em sua forma original — porém com o nome de outro médico. O Dr. Healy disse que tais fraudes vem se tornando mais freqüentes. “Acredito que 50 por cento desses artigos sobre medicamentos nos principais periódicos médicos não são escritos na forma que a pessoa comum espera... As provas que tenho visto sugerem que uma significativa proporção dos artigos em periódicos, como o New England Journal of Medicine, o British Medical Journal e o Lancet, foram escritos com a ajuda de agências”, disse ele. “Não são mais que informações comerciais pagas pelas empresas farmacêuticas”.
Nos Estados Unidos, em um caso levado à justiça contra a indústria farmacêutica Pfizer, apareceram documentos internos dessa empresa mostrando que ela empregava uma agência de autores de assuntos médicos de New York. Um dos documentos analisa artigos sobre o antidepressivo Zoloft. Em alguns dos trabalhos faltava somente uma coisa: o nome de um médico. Na margem, a agência tinha colocado as iniciais TBD. O Dr. Healy acha que significam to be determined (a ser determinado).
O Dr. Richard Smith, editor do British Journal Of Medicine, admitiu que os artigos-fantasmas são um “grande problema”. “Estamos sendo enganados pelas companhias farmacêuticas. Os trabalhos vêm com os nomes de médicos e, freqüentemente, descobrimos que alguns deles não têm a menor idéia a respeito do que escreveram”, disse ele. “Quando descobrimos , rejeitamos o trabalho; mas é muito difícil. De certa forma, nós mesmos causamos o problema ao insistir que qualquer envolvimento com uma empresa farmacêutica seja divulgado. Encontraram caminho para contornar isso e vão trabalhar na clandestinidade”.
Antony Barnett é redator de Assuntos de Interesse Público do periódico The Observer (Grã-Bretanha).
Conflito de interesses
Uma análise de 789 artigos dos jornais médicos mais importantes (The Lancet, New England Journal of Medicine, Journal of the AmericanMedical Association, Annals of Internal Medicine) mostrou que um terço dos autores titulares tinham interesses financeiros em suas pesquisas, sob a forma de patentes, ações ou honorários das empresas, por estarem no Conselho Consultivo ou trabalhando como diretores
Jogando com a saúde
Horst-Eberhard Richter
“O serviço de saúde cultiva e recompensa a corrupção.Ele castiga sistematicamente o bom senso e a tentativa de economizar.”
Walter Kraemer
O homem quer ter saúde, porém a economia também quer ter saúde. Às vezes, o governo precisa decidir qual a saúde mais importante. Ás vezes, ele dá preferência à saúde da economia. Isso não é divulgado, para poupar aborrecimentos e evitar que a população fique preocupada. Isso está se tornando cada vez mais difícil mas, em caso de dificuldades, a indústria oferece conselho e apoio. Ela encontra pesquisadores para provar que os produtos prejudiciais à saúde são inofensivos, que as doses limites para substâncias nocivas podem ser regulamentadas em níveis elevados, e todos os leigos no assunto se sentem seguros.
Como eles procedem foi observado no exemplo do perigoso amianto. Trata-se de um material fibroso, utilizado em inúmeros tubos e placas. Fibras microscópicas se soltam e permanecem no ar como pó invisível, causando problemas respiratórios e câncer do pulmão. Na Alemanha, o Instituto Federal de Saúde empenhou-se a examinar o limite máximo de fibras de amianto por metro cúbico de ar que poderia ainda ser considerado inofensivo à saúde. Primeiro, os cientistas acharam que o limite de 100 fibras não deveria ser ultrapassado. Repentinamente, porém, mudaram de opinião e informaram que o limite seria de 1000 fibras. Isso levantou suspeitas. De repente, o amianto era menos perigoso? Ou os cientistas tinham algum motivo pessoal para julgar as fibras com maior bondade?
Por azar, o Instituto teve que submeter toda a sua documentação a um exame. Os peritos ficaram espantados. Verificaram que não existe pesquisa alguma, no campo do amianto, que não tenha sido financiada pela indústria de amianto.
Mais tarde, o Instituto informou que, pelo menos os canos de cimento-amianto que transportam a água potável são inofensivos, porque as partículas fibrosas que bóiam na água não comprometem a saúde — a verba para esta pesquisa também era de um fabricante de amianto. O porta-voz do Instituto Federal de Saúde explicou com franqueza irrefletida: assim como o Instituto, todas as universidades e laboratórios de pesquisa trabalham em conjunto com a indústria, para obter resultados orientados para o trabalho prático.
É muito triste quando um instituto governamental é apanhado em flagrante, aceitando verbas — para analisar os riscos de saúde — diretamente das empresas que causam estes riscos. Pior ainda é divulgar que todos os outros estão fazendo o mesmo.
Dentro de quatro paredes, os teóricos podem debater o motivo que leva a indústria a orientar a maioria das pesquisas médicas de acordo com seus interesses e argumentar que nem é possível ser diferente, numa sociedade que quer cada vez mais privatização e menos controle governamental; que a economia precisa exercer influência sobre a determinação dos riscos que são divulgados, dos riscos que são disfarçados e como os limites são estabelecidos para substâncias nocivas. Tudo isso segue a religião moderna de que o mercado — o intercâmbio de todos os egoísmos — regula tudo da melhor forma.
Assim, a sociedade pertence necessariamente aos mais fortes. Não às pobres repartições públicas ou às universidades federais, que atualmente nem têm a verba necessária para um ensino adequado — e muito menos para pesquisas importantes. Se a indústria não financiasse generosamente cientistas, pessoal técnico, laboratórios, equipamento e projetos, milhares de universidades seriam fechadas.
Sabe-se, há muito tempo, que a indústria dirige quase todas as carreiras acadêmicas na medicina. O pesquisador jovem e ambicioso da área médica, que sabe orientar seu trabalho segundo os interesses dos benfeitores da indústria, tem sucesso garantido. Ele consegue verbas especiais para pesquisa, pode visitar famosas instituições estrangeiras, é convidado com a esposa ou amiga para cursos de aperfeiçoamento nas mais belas estações de esqui ou de águas. As empresas o deixam trabalhar com o equipamento mais caro, financiam pessoal técnico auxiliar, permitem que teste os medicamentos mais recentes, auxiliam na publicação de seus trabalhos. Após algum tempo, é apresentado — com os resultados benéficos de suas pesquisas — em cursos de especialização profissional e congressos e sobe, sem demora, em sua carreira.
Um desses pesquisadores viaja de um lugar para outro, como descobridor de um tipo de margarina que protege o coração de maneira fantástica (até que, após 10 anos, fica provado que ela não protege nada). Outro faz propaganda do milésimo produto psicotrópico que garante definitivamente a harmonização da alma. Um terceiro circula como hábil pesquisador de uma engenhoca que mediu, em 500 pessoas, alguma coisa possível de ser medida da mesma forma com 20 aparelhos já conhecidos. Como quase todas as carreiras seguem o mesmo caminho, cada um dos patrocinados encontra, em cada escalão, chefes, peritos e agremiações que não fazem objeção à sua amizade com as indústrias de margarina, dos produtos farmacêuticos e de equipamentos — todos consideram perfeitamente normal, pois fazem o mesmo.
Por outro lado, provoca aborrecimento àquele que se interessa demais pelo exagero de exames diagnósticos desnecessários, pelos inúmeros medicamentos inúteis e pelos medicamentos que mais prejudicam do que fazem bem. Diante de interesses tão excusos, ele precisa ter dotes científicos extraordinários para não ser eliminado. Obviamente, será despedido com um certificado brilhante e algum motivo fictício.
Sempre, porém, um ou outro fanático pela verdade, infelizmente, encontra uma brecha. Pior ainda se ele consegue obter os recursos para um projeto de pesquisa embaraçoso.Talvez para analisar se os gases que saem do escapamento do motor Diesel são nocivos. Aí, um homem desses descobre — isso ocorreu recentemente — que estes gases causam câncer nos ratos. E não é possível impedi-lo de passar sua descoberta para as mãos erradas. Imediatamente, uma comissão do Senado viu-se obrigada a colocar as emissões dos motores Diesel na lista dos cancerígenos. Isto, após a declaração oficial de que os motores Diesel eram pobres em substâncias nocivas e por isso sofreriam uma redução de impostos — uma grande atração para muitos compradores.
O que fazer? Rapidamente foi desencadeada a reação específica prevista para tais casos catastróficos. Foi divulgado que o pesquisador responsável era um cientista que está por fora. O diretor das empresas que produzem a maioria dos veículos a Diesel até se fez de “vítima de alegações levianas e sem fundamento”. Imediatamente, o valor dos resultados foi colocado em dúvida: “Homens reagem de maneira diferente dos ratos. Se o gás Diesel fosse nocivo ao homem, já se saberia há muito tempo que, no manuseio profissional com este produto, freqüentemente ocorrem casos de câncer”.
Exatamente esta suposição foi confirmada por uma pesquisa americana. Mesmo as dúvidas cuidadosamente plantadas, a respeito da competência profissional do pesquisador em questão, não adiantaram nada, pois ele foi apoiado por renomados colegas nacionais e estrangeiros. Resultado: não o pesquisador teimoso mas o empresário descontente ficou desacreditado. E a queda de 20 % na venda de veículos Diesel foi um golpe ainda maior. Uma montanha de cacos foi provocada por uma única cabeça dura, colocada no local errado, e que escapou ao afastamento em tempo hábil.
Entretanto, nem sempre incidentes desse tipo precisam acabar tão mal. Para alívio dos leitores, gostaria de apresentar o exemplo de uma situação conflitante que foi solucionada de maneira mais elegante.
Bem impressionado com o currículo do candidato, o superintendente de um hospital universitário convidou um especialista estrangeiro, competente no combate a dores, a ocupar um cargo de chefia. O superintendente não sabia que o novo médico estava pesquisando, com desconfiança e há muitos anos, os efeitos colaterais de determinado medicamento contra dor-de-cabeça. Como chefe de uma clínica, o médico encontrou novos indícios em seus pacientes que estes comprimidos, tão apreciados, às vezes levavam à dependência e, utilizados por longo tempo, até provocavam danos aos rins. Os problemas nos rins, por sua vez, causavam dor-de-cabeça, o que induzia os pacientes a aumentarem ainda mais a dose de comprimidos. O chefe da clínica reuniu, cuidadosamente, todos os resultados suspeitos e não se acanhou a escrever um artigo, que ele ofereceu a uma conhecida revista médica alemã para publicação.
A redação, tomada de surpresa, logicamente não pensou em primeiro lugar nos milhares de pacientes inocentes que, diariamente, consumiam este medicamento suspeito, mas no provável desgosto do fabricante e seus anúncios tão bem-vindos. Portanto, a revista enviou o artigo — obviamente sem consultar o autor — para a indústria farmacêutica que produz os comprimidos. Esta, por sua vez, enviou dois representantes de peso, por avião, ao superintendente consternado do hospital universitário. Perguntaram porque permitiu que um artigo tão desagradável saísse de sua instituição.
Mencionavam, de passagem, as verbas que a indústria, mensalmente, destinava ao hospital universitário. Imediatamente, o superintendente pediu explicações para o perplexo chefe de clínica que havia pensado ingenuamente nos benefícios da sua comunicação. O superintendente perguntou se ele estava louco. Se nem se importava com a situação delicada do hospital e do fabricante, “tão gentil”. Impotente diante da superintendência, da redação da revista e da empresa, o autor acuado concordou em omitir o nome do medicamento. Sobrou apenas a fórmula química que, para o leitor normal, pouco significa.
Poucos dias mais tarde, o chefe da clínica perdeu seus assistentes e suas instalações de pesquisa. Mudos e sem resistência, todos os colegas (com exceção de um amigo), assistiram à punição. Para o humilhado, a demissão era a única saída. Sua carreira universitária estava encerrada — uma lição salutar para centenas de assistentes da faculdade que discutiam os prós e os contras do caso. Alguém, que tivesse a intenção de seguir o caminho errado do chefe de clínica, estava curado. Liberdade de pesquisa — tudo bem. Mas precisa haver ordem, ou seja, lealdade irrestrita no sentido correto.
A punição de ações erradas intimida as pessoas sensatas mas, fato curioso, um ou outro rebelde se sente atraído. Em todo o caso, o chefe de clínica demitido deixou um rastro crescente de seguidores que denunciavam, sem o menor respeito, os medicamentos perigosos ou totalmente ineficazes. Conseguiam publicar esses artigos na imprensa leiga, com maior facilidade do que nas revistas científicas.
Finalmente, foi preciso dar um ultimato aos responsáveis por esses periódicos: Falem positivamente de nossos produtos farmacêuticos ou cortaremos nossos anúncios!
Uma indústria farmacêutica de renome decidiu exercer pressão sobre todas as editoras. As exigências categóricas incluíam, por exemplo, redatores com neutralidade política e terapêutica (!), publicação das notícias somente após verificação pelos atingidos (não os pacientes, mas os fabricantes!), contatos mais intensos com a associação das indústrias farmacêuticas, a não “dramatização de riscos de medicamentos”. Cada destinatário devia devolver uma cópia desta carta ameaçadora, devidamente assinada — como declaração de submissão.
Isto mesmo! Quem não obedece tem que sentir na pele. Por que a indústria deveria se preocupar com a base financeira das revistas, em vez de cuidar de seu próprio bem-estar?
Além disso, as indústrias farmacêuticas podem tranqüilamente invocar o fato de milhões consumirem, diariamente e por conta própria, analgésicos, calmantes, estimulantes ou soníferos, sem se preocupar se fazem bem ou mal. As pessoas tomam bebida alcoólica demais, comem demais e muito mal: em geral têm plena consciência dos prejuízos que o prazer lhes acarreta. Afinal, a indústria farmacêutica não é nenhuma instituição de caridade.
ou, será que talvez seja? Será que ela preenche uma função psicoterapêutica na sociedade? Qual seria a conseqüência se um cidadão normal não pudesse consumir, no decorrer de sua vida, 30.000 mil comprimidos? Ele iria beber mais álcool, talvez se tornasse dependente de drogas ou iria aderir a algum movimento de protesto.
Milhões de pessoas só conseguem encarar a vida, o medo de catástrofes, poluição ambiental e guerras, porque podem se proteger da amargura com estimulantes e antidepressivos e da raiva com calmantes e soníferos. Segundo Marx, a religião é ópio para o povo. Hoje, a maioria não tem mais religião, só o ópio na forma de tranqüilizantes. Estes, segundo a propaganda, harmonizam a alma, são óculos de sol para a alma ou libertam do medo. Quando a raiva sobe à cabeça, existem medicamentos para dor-de-cabeça e quando a raiva afeta o estômago, existem medicamentos para o estômago. Talvez todos se rebelassem em massa contra a destruição da natureza, a corrida armamentícia, a energia atômica, a tecnologia genética, a opressão das mulheres — se não tivessem produtos farmacêuticos que os acalmassem. Estes já se tornaram, portanto, instrumento indispensável, base moderna da política de segurança e ordem nos países industrializados. Assim, ninguém pode levar a mal que a indústria farmacêutica se oponha com sucesso a qualquer legislação rigorosa do setor.
Alguns pesquisadores, com vontade de comprar briga, descobriram que 60 % dos medicamentos vendidos na Alemanha produzem pouco ou nenhum efeito. Isto causa aborrecimento, mas não é muito grave. A maioria dos consumidores é suficientemente sugestionável para, obedientemente, sentir o efeito positivo do medicamento, que está indicado na bula ou em outro lugar. Quem vai se preocupar com advertências indicando efeitos colaterais estatisticamente raros?
Todos compreendem que não se pode exigir do fabricante que mostre as desvantagens do seu próprio produto. O governo também prefere fechar os olhos, quando deveria esclarecer a periculosidade dos produtos — mas isso também é compreensível. Sempre há a pergunta, quando alertamos oficialmente a respeito de um produto nocivo de grande consumo popular. “Qual é o número de postos de trabalho ameaçados, em comparação com o número de consumidores potencialmente ameaçados?” Os políticos e economistas não precisam ter receio deste cálculo bastante delicado, como mostra a experiência; eles podem contar, às vezes, até com o apoio dos sindicatos. Também estes pensam, de vez em quando, primeiro em seus colegas que vivem da produção de agrotóxicos ou cigarros.
Pelo exemplo dos cigarros, gosto de mostrar como a indústria e o Estado conseguiram, em cooperação exemplar e através de décadas, proteger um produto nocivo à saúde de perdas pesadas no mercado. Ao contrário do caso do amianto, trata-se aqui de uma obra prima da “ars corrumpendi” e isto para um dos artigos de maior consumo popular.
Há quase 40 anos, sabemos definitivamente que fumar significa um grande risco de câncer do pulmão. Já naquela época, levantamentos nos EUA mostraram, de maneira inequívoca, que fumantes inveterados morrem de câncer do pulmão em número muito maior do que qualquer outro cidadão e que houve um aumento alarmante de casos de câncer do pulmão. Um médico berlinense rapidamente espalhou a sensacional descoberta americana pelo rádio. Imediatamente, um conglomerado de indústrias de cigarros ameaçou o superintendente da estação de rádio com a demanda de uma indenização gigantesca e contestou a seriedade da informação. O superintendente, por sua vez, ameaçou o médico de prisão. Não tinha o direito de repetir uma alegação tão monstruosa através de um meio de comunicação.
Enquanto isso, institutos de pesquisa, discretamente comprados, desmentiam os resultados da descoberta do câncer causado por fumo. O público tinha a impressão de que os cientistas estavam, mais uma vez, em total desacordo — portanto, não se podia acreditar em nenhum deles.
Finalmente, quando as vozes denunciando o fumo já estavam ganhando força, um eminente psicólogo internacional veio socorrer a indústria de cigarros. Com questionários sutis, ele achou que os fumantes inveterados são, em geral, bem mais nervosos do que os não fumantes. Prontamente, ele declarou com astúcia: “as pessoas adquirem câncer de pulmão devido a seu nervosismo. Que elas também fumem é mero acaso e não tem nada a ver com o risco de câncer”.
Ao mesmo tempo, uma campanha publicitária fotografava fumantes inveterados de 90 anos e jovens campeões olímpicos fumando intensamente. Este ou aquele cigarro parecia indispensável para a alegria de viver, potência, resistência e juventude. Principalmente audácia esportiva e aventuras eram acopladas sugestivamente ao amor pelo cigarro. Ou seja: somente os quadrados medrosos se deixam intimidar pelo perigo do câncer. Progresso significa coragem e disposição para correr riscos. Os audaciosos cowboys, alpinistas e velejadores dos comerciais também podem sentir medo, mas eles não se perturbam e não se privam dos seus cigarros preferidos.
Enquanto isso, o lobby poderoso das indústrias de cigarros ameaçou os políticos — quando estes não quiseram mais ficar calados — com cenários econômicos catastróficos. Inventou-se cigarros com baixo teor de nicotina, depois com baixo teor de alcatrão e utilizou-se uma mistura de mentol. Somas consideráveis foram gastas em filmes para cinema e televisão, em que os protagonistas principais estão fumando cigarros. Algumas estrelas do esporte receberam presentes para desistir de uma cura de desintoxicação.
Assim, a frente de defesa política e industrial se manteve coesa de uma década a outra, até que as grandes indústrias do fumo tivessem conseguido se expandir para outros ramos, a fim de digerir, sem dor, as perdas inevitáveis do ramo de cigarros. Após uma demora colossal, os ministros de saúde se manifestaram com restrições oficiais, para as quais há muito tempo já tinham a comprovação em mãos. Assim, o movimento anti-fumantes foi inevitável mas, como mostram as estatísticas, na geração de adolescentes já pouco consegue penetrar. Os cigarros são um psicofármaco, cujos danos tardios só serão sentidos num futuro longínquo, que a juventude, devido a tantos outros riscos, não tem muita vontade de encarar.
Onde existe hoje algo que se pode inalar, comer ou beber sem risco? Em que lugar o ar está limpo? Aonde a água é potável? Quantas substâncias químicas engolimos, quando comemos verduras ou bebemos vinho adulterado? Quantos produtos farmacêuticos encontramos em cada lingüiça ou bife? O chefe de uma comissão especial revelou recentemente: “Hoje nenhum porco ou boi chega ao matadouro sem estar entupido de medicamentos.”
Vamos e venhamos, esse é mais um desses exageros repreensíveis. Por que não deixar às pessoas a ilusão de que somente um ou outro criador de gado suíno e bovino desrespeita os bons costumes?
Entretanto, esta indiscrição também oferece um consolo. Quando ninguém mais consegue lembrar quais os alimentos e petiscos que causam câncer, prejudicam o fígado, coração, rins, medula, sangue e dentes, vai se tornar indiferente o que comemos e tudo volta a ter sabor. É compreensível que os médicos não queiram irritar as pessoas com alertas constantes. Muitos deles também fumam, tomam comprimidos desnecessários, comem erradamente, bebem demais — não servem para defender a moral.
Assim como os hospitais universitários e os laboratórios de pesquisa, também os consultórios médicos refletem, de maneira exemplar, a cooperação rendosa com as indústrias farmacêuticas e de equipamento médico. Para acompanhar a modernidade, milhares de médicos jovens ficam endividados com a aquisição de aparelhos dos mais dispendiosos, que eles usam — para conseguir efetuar o pagamento — em inúmeros casos totalmente desnecessários.
Ao mesmo tempo, eles se esforçam para alimentar cuidadosamente a maravilhosa fé nos medicamentos. De que outra forma a indústria farmacêutica poderia lucrar com milhares de medicamentos, quando a Organização Mundial da Saúde considera que apenas 200 medicamentos são necessários?
Como podemos reclamar que os médicos se sujeitem às leis do mercado, do qual fazem parte? Os médicos debitam ao seguro-saúde, a cada ano, milhões de Euros por serviços que não realizaram. De acordo com a Aertzte Zeitung (Jornal Médico), estima-se que de 15 % a 20 % dos médicos da Previdência estejam cobrando demais ou de forma errada. Se alguém é apanhado, é capaz de confessar: “Mas todos fazem isso”!
DEVERÍAMOS PARAR DE COMER CARNE?
por Denis Russo Burgierman / Alceu Nunes
Comer não é só uma questão de matar a fome. A decisão sobre que comida colocar no prato tem implicações econômicas, ambientais, éticas, culturais, fisiológicas, filosóficas, históricas, religiosas. Embora a porcentagem de vegetarianos venha se mantendo mais ou menos estável ao longo da história, há um interesse crescente no assunto – restaurantes naturais e vegetarianos ficam lotados na hora do almoço, tornou-se comum, pelo menos nas classes médias urbanas, a preocupação em reduzir o consumo de carne, e surgiu uma indústria bilionária de produtos naturais que, nos Estados Unidos, já movimenta quase 8 bilhões de dólares.
Esta reportagem não ensina você a comer. Felizmente, essa ainda é uma decisão pessoal, que depende apenas do seu julgamento sobre o que é certo e o que é errado e – não menos importante – do seu gosto. O que essa matéria faz é tentar ajudar na decisão com o máximo possível de informação insuspeita sobre cada um dos muitos aspectos envolvidos nessa importante decisão. Se você, depois de terminá-la, vai devorar um brócolis ou um cheeseburger, já não é assunto nosso. Só esperamos que, terminado o texto, ao decidir o que comer você saiba o que está fazendo e o que isso implica.
O que é a carne?
A faca desce macia, cortando sem esforço o pedaço de picanha. Dourada e crocante nas bordas, tenra e úmida no centro. Você põe a carne na boca e mastiga devagar, sentindo o tempero, a maciez, a temperatura. O sumo que escorre dela enche a boca e, com ele, o sabor incomparável. Carne é bom.
Mas que tal assistir à mesma cena sob outra perspectiva? No prato jaz um pedaço de músculo, amputado da região pélvica de um animal bem maior que você. Com a faca, você serra os feixes musculares. A seguir, coloca o tecido morto na boca e começa a dilacerá-lo com os dentes. As fibras musculares, células compridas – de até 4 centímetros – e resistentes, são picadas em pedaços. Na sua boca, a água (que ocupa até 75% da célula) se espalha, carregando organelas celulares e todas as vitaminas, os minerais e a abundante gordura que tornavam o músculo capaz de realizar suas funções, inclusive a de se contrair. Sim, meu caro, por mais que você odeie pensar que a comida no seu prato tenha sido um animal um dia, você está comendo um cadáver.
Carne é tecido animal, em geral muscular. As fibras que a compõe são feixes de células musculares, enroladas umas nas outras. Em volta delas há uma cobertura de gordura, cuja função é lubrificar o músculo e permitir que ele relaxe e se contraia suavemente. Ou seja, não há carne sem gordura.
A diferença entre carne branca e vermelha é a quantidade de ferro no tecido – o mesmo mineral que dá cor ao sangue. As células de animais grandes, como o boi, são ricas de uma molécula chamada mioglobina, que contém ferro. Peixes e galinhas, por terem o corpo menor, não precisam de reservas tão grandes de nutrientes nas células e, por isso, têm menos mioglobina. Animais mais velhos têm carne mais vermelha – isso explica a brancura do frango industrializado, abatido antes dos dois meses, se comparado à galinha caipira. Essa última tem mais tempo para acumular mioglobina nas células.
Números, números, números
Há no mundo 1,35 bilhão de bois e vacas. Criamos 930 milhões de porcos, 1,7 bilhão de ovelhas e cabras, 1,4 bilhão de patos, gansos e perus, 170 milhões de búfalos. Some todos eles e temos uma população de animais quase equivalente à humana dedicando sua vida a nos alimentar – involuntariamente, é claro. E isso porque ainda não incluímos na conta a população de frangos e galinhas abastecendo a Terra de ovos e carne branca: 14,85 bilhões.
Só no Brasil há 172 milhões de cabeças de gado bovino – uma para cada cabeça humana. Nosso rebanho bovino só é menor que o da Índia, onde é proibido matar vacas. Na média, um brasileiro come perto de 40 quilos de carne bovina por ano – ou seja, uma família de cinco pessoas devora uma vaca em 12 meses. Somos o quarto país do mundo onde mais se come carne bovina (veja quadro na página 44). Um brasileiro médio come também 32 quilos de frango e 11 quilos de porco todo ano.
Todos os tipos de vegetarianos Vegetarianos não são todos iguais. Conheça as diferenças.
Ovolactovegetarianos Não comem carne de nenhum tipo, mas consomem ovos, leite e derivados. Em geral, quando alguém diz que é “vegetariano”, é essa dieta que ele segue.
Lactovegetarianos
Provavelmente o mais numeroso dos grupos, já que essa dieta é predominante no sul da Índia – por razões religiosas. Nada de carne, mas leite e derivados estão liberados. O ovo é terminantemente proibido, por conter a “vibração da vida”.
Vegans
Não consomem nada de origem animal: carne, ovos, leite, mel. Roupas de couro, lã e seda também estão proibidas.
Semivegetarianos
Aquelas pessoas que afirmam ser vegetarianas, mas abrem exceções para peixes ou aves. São vistos com desdém pelos outros grupos. A principal razão para essa dieta, que recusa só a carne vermelha, é o cuidado com a saúde.
Macrobióticos
Dieta tradicional japonesa, que pode ser vegan, ovolactovegetariana ou incluir peixe. Há várias restrições – a dieta acompanha as estações do ano, o cardápio tem que incluir uma árvore toda, da semente ao fruto. Como foi elaborada no Japão, a macrobiótica não contempla a realidade brasileira (as estações do ano, por exemplo, são diferentes aqui). Isso pode levar a deficiências alimentares.
Crudivorismo
Só comem vegetais crus. É preciso cuidado com essa dieta, porque ela exclui os grãos, que são as melhores fontes de proteína e ferro dos vegetarianos. Há risco de desnutrição.
Frugivorismo
Os frugivoristas não só rejeitam carne, como evitam machucar ou matar vegetais. Por isso, comem apenas aquilo que as plantas “querem” que seja comido: frutas e castanhas. Consideram o consumo de folhas, caules e raízes uma violência. A dieta não é das mais saudáveis, já que é pobre em proteínas e em minerais.
Carne faz mal?
Quem come mais carne – especialmente carne vermelha – tem índices maiores de câncer e de enfarte, as duas principais causas de morte do planeta. É o que dizem as estatísticas. Carne faz mal, então? Não é tão simples.
Nos últimos 30 anos, as autoridades dos Estados Unidos vêm aconselhando os americanos a diminuir a ingestão de carne vermelha e manteiga por causa de suspeitas de que a gordura saturada presente em grande quantidade nesses alimentos aumenta a taxa de colesterol e, com isso, causa ataques cardíacos. O conselho virou norma no mundo todo – a Organização Mundial da Saúde e vários governos adotaram a política de reduzir a gordura saturada. Tudo muito bom, só que tem algumas peças que, mesmo após três décadas de pesquisas, continuam não se encaixando no quebra-cabeças.
Uma delas é a Europa mediterrânea. Lá, desde que terminaram os rigores da Segunda Guerra, o consumo de carne vermelha tem aumentado. Pois bem: a taxa de doenças cardíacas diminuiu no mesmo período. E a França? O país da pâtisserie, fã ardoroso das carnes vermelhas de todo tipo, onde qualquer almoço começa refogando o que quer que seja em manteiga derretida, tem uma das mais baixas taxas de mortes por ataque cardíaco do mundo.
No ano passado, Gary Taubes, correspondente da revista americana Science e um dos principais escritores de ciência do mundo, escreveu um longo artigo no qual classificava o medo da gordura saturada como “dogma”. Taubes afirma que, mesmo com tanta pesquisa, não há prova de que gordura saturada e enfartes estão ligados. E vai além: diz que a propaganda do governo só serviu para fazer com que os americanos comessem mais – ao evitar a gordura, eles acabavam ingerindo mais carboidratos, mais açúcar, para manter a quantidade diária de calorias (o corpo tende a reclamar quando as calorias são insuficientes para saciá-lo – isso se chama fome). Resultado: o índice de obesidade passou de 14% para 22% no país. E obesidade, sabidamente, é um sério fator de risco para doenças cardíacas.
A maior parte do mundo médico ainda acredita na malignidade da carne vermelha e da manteiga. (“Não tenho dúvidas da relação entre gordura saturada e doenças cardiovasculares”, afirma o nutricionista argentino Cecílio Morón, oficial da agência da ONU que cuida de alimentação, a FAO. Denise Coutinho, que coordena a política de nutrição do governo brasileiro, repetiu quase as mesmas palavras.) Mas o artigo de Taubes serviu para mostrar que nutrição não é baseada numa relação simples de causa e conseqüência, tipo “mais carne, mais ataques cardíacos”.
Mas, afinal, o que sobra da discussão? Dietas de países gelados como a Escócia e a Finlândia, onde o único vegetal consumido em quantidade é o tabaco, estão equivocadas. Os altos índices de ataques cardíacos por lá são prova incontestável. Mas os franceses, e os mediterrâneos em geral, devem estar fazendo alguma coisa certa. Sua dieta é variada e rica em vegetais frescos, azeite de oliva (tido como redutor de colesterol), vinho e carne de todos os tipos. Ao contrário dos americanos, esses povos comem com calma, em ambientes descontraídos. O que os está salvando dos ataques cardíacos? Os legumes, o azeite, o vinho, a conversa mole depois do almoço, a brisa marinha? Ninguém sabe ao certo. Provavelmente é uma conjunção de todos esses fatores.
O raciocínio vale em parte para o câncer também. Os comedores de carne morrem mais de câncer de intestino, boca, faringe, estômago, seio e próstata. Ainda assim, o elo entre carne e câncer é meio frouxo. Tudo indica que, se é que a carne aumenta mesmo a incidência de câncer, sua influência é bem pequena – um fator entre muitos.
Agora, de uma coisa ninguém tem dúvidas: vegetais fazem bem. Uma dieta rica em frutas, legumes e verduras claramente reduz as chances de ter câncer no esôfago, na boca, no estômago, no intestino, no reto, no pulmão, na próstata e na laringe, além de afastar os ataques cardíacos. Frutas e legumes amarelos têm caroteno, que previne câncer no estômago; a soja possui isoflavona, que diminui a incidência de câncer de mama e osteoporose; o alho tem alicina, que fortalece o sistema imunológico; e por aí vai – essa lista poderia ocupar o resto da revista. Em resumo: não está bem claro se a carne faz mal. Muito bem, pelo jeito, não faz. Mas, para ser saudável, o importante é ter uma dieta rica e variada de vegetais. Seja ela vegetariana ou não.
Dá para viver sem carne?
Dá. O vegetarianismo exige cuidados e conhecimentos de nutrição, mas com certeza pode-se ter uma dieta saudável sem carne. Aliás, o fato de exigir cuidados a faz mais saudável. Um vegetariano tende a prestar mais atenção no que come e nos efeitos disso sobre seu corpo. E isso, em si, já é um hábito salutar. Muitos nutricionistas afirmam que as crianças não devem, de maneira nenhuma, ficar sem proteína animal, sob risco de terem o desenvolvimento cerebral prejudicado. Essa regra deve ser seguida a não ser que os pais saibam muito bem o que estão fazendo, conheçam as propriedades de cada alimento e – não menos importante – que a criança queira.
Os ovolactovegetarianos não têm problemas com proteínas porque os derivados de animais são tão protéicos quanto a carne. O perigo é que leite e ovos são pobres em minerais, especialmente ferro, que é fundamental para a saúde – ele é usado para construir a hemoglobina, uma molécula cuja função é carregar o oxigênio do pulmão para as células. Sem ferro, portanto, as células podem morrer. Isso é a anemia.
Ou seja, ovolactovegetarianos não podem basear sua dieta no leite, nos ovos e nos queijos, sob risco de ficarem sem nutrientes valiosos. É preciso comer muitos e variados vegetais, em especial soja, feijão, brócolis, couve, espinafre – todos ricos em ferro. A quantidade é fundamental, porque o ferro dos vegetais é menos absorvido pelo corpo que o de origem animal. Uma boa dica é acompanhar as refeições com suco de laranja, já que a vitamina C ajuda na absorção do ferro. Outra fonte de ferro é a casca de grãos como o arroz e o trigo. Por isso, eles devem ser sempre integrais. Denise Coutinho, responsável pela política nutricional do governo federal, adiantou à Super que está em estudo uma medida para tornar a fortificação com ferro obrigatória nas farinhas de trigo e de milho. A medida, que visa combater a desnutrição, vai acabar ajudando a vida dos vegetarianos.
Já para os vegans, a palavrinha mágica é “soja”. Se você não gosta desse grão ou é alérgico a ele, virar vegan vai ser bem mais penoso. A questão é a seguinte: suprir suas necessidades protéicas com carne é fácil. “Afinal, você é feito de carne”, diz Pedro de Felício, especialista em produtos de origem animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Um bife tem a mesma composição que os músculos do seu corpo. As proteínas das quais ele é feito são, também, iguais às suas, feitas com os mesmos aminoácidos. Portanto, contêm tudo o que você precisa.
Proteínas vegetais são mais simples. Elas não contêm todos os componentes necessários. A soja, entre os vegetais, é o que tem as proteínas mais completas. Há outras fontes de proteína, como o feijão, mas, se você não come soja, vai precisar de grandes quantidades e de muita variedade de vegetais para juntar todos os aminoácidos de que precisa. “Desde que sigam essa regra, os vegans tendem a ter uma dieta até mais equilibrada que os ovolactovegetarianos, já que não ocupam lugar no estômago com ovos e leite, que são pobres em vários nutrientes”, diz o nutricionista vegan George Guimarães.
Uma questão para os vegans é a vitamina B12, que o corpo não produz e não existe em vegetais. A B12 é fabricada por bactérias e pode ser encontrada nos animais (que comem bactérias ao ciscar ou pastar). Mas suprir as necessidades de B12 é fácil: qualquer biscoito ou cereal com a palavra “fortificado” no rótulo contém a vitamina. Ela também é vendida em cápsulas.
Somos vegetarianos por natureza?
Não. “O homem tem dentes pequenos e sistema digestivo curto, características de onívoros”, afirma o antropólogo físico Walter Neves, da Universidade de São Paulo, maior especialista brasileiro em homens pré-históricos. Ou seja, nosso organismo está preparado para comer de tudo, inclusive carne. Somos como o chimpanzé, que, além de plantas, cata insetos, lagartos e roedores. E diferentes do gorila, que só come plantas e, para isso, tem dentes molares imensos e uma barriga enorme (se você também tem uma, por favor não tome isso como uma comparação). Os dentes grandes servem para criar mais área de mastigação e, assim, triturar melhor as folhas e tirar delas os escassos nutrientes. A barriga abriga o intestino e o estômago, que são bem maiores para dar mais tempo ao organismo de absorver o que interessa.
Walter afirma que, num passado longínquo, nos alimentávamos como chimpanzés. Mas há 2,5 milhões de anos nossa dieta mudou. Começamos a fabricar instrumentos de pedra e as novas armas permitiram que incluíssemos no cardápio a carne de grandes mamíferos. Assim, nossa ingestão de proteína animal aumentou demais. “Sem isso, não teríamos desenvolvido um cérebro grande”, diz Walter. O aumento súbito de proteína na dieta permitiu que nosso corpo investisse mais recursos no sistema nervoso. Hoje, de 30% a 40% de tudo o que comemos vira combustível para fazer o cérebro funcionar. Sem o aumento na ingestão de carne, isso jamais seria possível.
Mas, na mesma época, surgiu um gênero de humanídeos estritamente vegetarianos. Conhecidos como Paranthropus, eles tinham grandes molares, eram barrigudos e não comiam animais de nenhuma espécie, nem insetos. Esses humanos vegetarianos conviviam com os humanos caçadores – há um lago no Quênia onde foram encontradas ossadas das duas espécies, com aproximadamente a mesma idade, a poucos quilômetros de distância.
O Paranthropus se extinguiu há 1,2 milhão de anos, provavelmente porque sua dieta mais restritiva o atrapalhou na competição com nossos ancestrais generalistas. Nossos primos vegetarianos deviam ser muito menos espertos que seus contemporâneos Homo, como atesta o tamanho de seu cérebro. “Eles investiram os recursos do organismo em dentes, os Homo investiram no cérebro”, diz Walter.
Quer dizer que precisamos comer carne para raciocinar? Não. Há 2,5 milhões de anos era assim porque não sabíamos plantar e nossa dieta quase não incluía plantas protéicas. Os únicos vegetais que comíamos eram frutas, folhas e raízes. Hoje, é possível ter uma dieta rica em proteínas sem carne.
Vaca, a onipresente
Há quem diga que o problema de comer carne é moral: não teríamos o direito de matar para comer. Mas, se você acha que basta parar de comer carne para acabar com a matança, está enganado. Há muito mais produtos no mercado que incluem animais mortos do que imagina a nossa vã filosofia.
Para começar, boa parte da indústria de vestuário depende de animais. O couro, você sabe, é a pele de bichos abatidos. Para separar o fio de seda, é preciso ferver o bicho-da-seda. Além disoo, filmes fotográficos e de cinema são recobertos por uma gelatina, retirada da canela da vaca. Ou seja, um vegan radical só tira fotos digitais. Dos pés bovinos saem também substâncias usadas na espuma dos extintores de incêndio. O sangue bovino rende um fixador para tinturas e a gordura acaba em pneus, plásticos, detergentes, velas e no PVC. Cremes de barbear, xampus, cosméticos e dinamite derivam da glicerina, substância que contém gordura bovina. A quantidade de medicamentos feitos com pedaços de gado, do pâncreas ao cordão umbilical, passando pelos testículos, é imensa.
Há um pouco das vacas também em vários produtos da indústria alimentícia – e não estamos falando só de bife à parmegiana. A gelatina deve a consistência ao colágeno arrancado da pele e dos ossos. Aliás, quase toda comida elástica contém colágeno – da maria-mole ao chiclete. Os queijos curados são feitos com uma enzima do estômago do bezerro. Além dos bovinos, vários outros animais são usados pela indústria de comida. Vegans devem ficar de olho nos rótulos e evitar dois corantes: coxonilha e carmin. O primeiro, usado para tingir de azul, é feito de besouros moídos. O segundo, que pinta de vermelho, é feito de lesmas amassadas.
O planeta precisa de carne?
Na verdade, se todos fossem vegetarianos, é provável que não houvesse tanta fome no mundo. É que os rebanhos consomem boa parte dos recursos da Terra. Uma vaca, num único gole, bebe até 2 litros de água. Num dia, consome até 100 litros. Para produzir 1 quilo de carne, gastam-se 43 000 litros de água. Um quilo de tomates custa ao planeta menos de 200 litros de água.
Sem falar que damos grande parte dos vegetais que produzimos aos animais. Um terço dos grãos do mundo viram comida de vaca. No Brasil, o gado quase não come grãos – graças ao clima é criado solto e se alimenta de grama. Mas boa parte da nossa produção de soja, uma das maiores do mundo, é exportada para ser dada ao gado. Outra questão é que a pecuária bovina estimula a monocultura de grãos. Num mundo vegetariano haveria lavouras mais diversificadas e teríamos muito mais recursos para combater a fome.
E não se trata só de comida. A pecuária esgota o planeta de outras formas. “Para começar, ocupa um quarto da área terrestre e não pára de se expandir”, diz o ativista vegetariano Jeremy Rifkin. A pressão para a derrubada das florestas, inclusive a amazônica, vem em grande parte da necessidade de pasto. Entre os danos ambientais causados pelo gado, está também o aquecimento global. Os gases da flatulência de bois e ovelhas – não, isso não é uma piada – estão entre os principais causadores do efeito estufa.
Como vimem - e morrem - os animais
Boi
No Brasil, os bois são criados soltos. Provavelmente, essa forma de criação é menos terrível que a de países frios do Cone Sul e da Europa, onde os invernos matam o pasto e fazem com que os animais fiquem fechados em áreas apertadas, comendo só ração. Isso não quer dizer que seja o melhor dos mundos. Os animais muitas vezes passam fome, vivem cheios de parasitas e apanham copiosamente. “O manejo no Brasil é muito bruto”, diz o etólogo Mateus Paranhos da Costa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Jaboticabal, especialista no assunto.
Não existe aqui no Brasil a produção de vitela – carne muito branca e macia de bezerros mantidos em jaulas superapertadas para evitar que se movimentem. Para acentuar a brancura da carne, os criadores não permitem que o bezerro coma grama ou grãos, só leite – a dieta tem que ser pobre em ferro e em outros nutrientes, forçando uma anemia no animal. Com isso, torna-se necessário o consumo de antibióticos, para diminuir o risco de infecções do animal desnutrido. “A vitela deveria ser proibida no mundo inteiro”, afirma o agrônomo e etólogo Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, especialista em técnicas de manejo da Universidade Federal de Santa Catarina.
Para matar um boi, primeiro se dá um disparo na testa com uma pistola de ar comprimido. O tiro deixa o animal desacordado por alguns minutos. Ele então é erguido por uma argola na pata traseira e outro funcionário corta sua garganta. “O animal tem que ser sangrado vivo, para que o sangue seja bombeado para fora do corpo, evitando a proliferação de microorganismos”, diz Ari Ajzenstein, fiscal do Serviço de Inspeção Federal (SIF), que zela para que as regras de higiene e de bons tratos no abate sejam cumpridas.
Em 1997, a ativista de direitos dos animais americana Gail Eisnitz escreveu o bombástico livro Slaughterhouse (“Matadouro”, inédito no Brasil), no qual acusava os matadouros de sangrar muitos animais ainda conscientes. “Não vou dizer que isso não acontece no Brasil, mas não é freqüente”, afirma Mateus Paranhos.
O abate a marretadas está proibido no país, o que não quer dizer que não aconteça – já que quase 50% dos abates são clandestinos e, portanto, sem fiscalização. O problema da marretada é que não é fácil acertar o boi com o primeiro golpe. Muitas vezes, são necessários dezenas para desacordá-lo.
Galinhas
Essas quase sempre levam uma vida miserável. Vivem espremidas numa gaiola do tamanho delas. As luzes ficam acesas até 18 horas por dia – assim elas não dormem e comem mais (isso acontece principalmente com as que produzem ovos). Seus bicos são cortados para que não matem umas às outras e para evitar que elas escolham que parte da ração querem comer – caso contrário, ciscariam apenas os grãos de seu agrado e deixariam de lado alimentos que servem para que engordem rápido.
A morte é rápida. As galinhas ficam presas numa esteira rolante que passa sob um eletrodo. O choque desacorda a ave e, em seguida, uma lâmina corta seu pescoço. O esquema é industrial. Hoje, nos Estados Unidos, são abatidas, em um dia, tantas aves quanto a indústria levava um ano para matar em 1930. Nas granjas de ovos, pintinhos machos são sacrificados numa espécie de liquidificador gigante. Parece horrível, mas é a mais indolor das mortes descritas aqui.
Porcos
Outros azarados. Não têm espaço nem para deitar confortavelmente. “São confinados do nascimento ao abate”, diz Pinheiro Filho. As gestantes são forçadas a parir atadas a uma fivela, apertadas na baia. O abate é parecido com o de bovinos, com a diferença que o atordoamento é feito com um choque elétrico na cabeça e que o animal é jogado num tanque de água fervendo após o sangramento, para facilitar a retirada da pele. Gail Eisnitz afirma, em seu livro, que muitos porcos caem na água fervendo ainda vivos, mas isso provavelmente é incomum.
Patos e gansos
Os mais infelizes dos nossos alimentos provavelmente são os gansos e patos da França. O foie gras, um patê tradicional e sofisticado, é feito com o fígado inflamado das aves. Os produtores colocam um funil na boca delas e as entopem de comida por meses, fazendo com que o fígado trabalhe dobrado. Isso provoca uma inflamação e faz com que o órgão fique imenso, cheio de gordura. Ou seja, o patê, na prática, é uma doença. Há movimentos pedindo o banimento do produto. Não se produz foie gras no Brasil.
E o que fazer a respeito
Há uma verdade inescapável: ao comermos carne, somos indiretamente responsáveis pela morte de seres que têm pai, mãe, sofrem, sentem medo. “Os vertebrados sentem dor”, diz Rita Paixão, fisiologista e bioeticista da Universidade Federal Fluminense. Isso é um fato e, se você pretende continuar comendo carne, é bom se acostumar com ele. Mas podemos ao menos minimizar o sofrimento, escolhendo comidas que impliquem em menos crueldade. O mercado oferece alternativas.
Uma delas são os ovos caipiras, produzidos por galinhas criadas soltas, em companhia de galos, sob o sol – um desinfetante natural –, comendo o que querem com seus bicos inteiros. A maior granja brasileira de ovos caipiras é a Yamaguishi, que distribui “ovos da galinha feliz” pela região de Campinas e em São Paulo. “Os ovos que nós produzimos... quer dizer, que nossas galinhas produzem”, diz Marcelo Minutti, gerente da granja, “são mais saborosos e não contêm substâncias químicas.”
Frangos caipiras, criados em condições semelhantes, também já são encontrados nos supermercados. Sua carne é mais dura, mas é mais saborosa e a chance de conter substâncias perigosas, como hormônios e antibióticos, é mínima. A rede Carrefour, graças a uma política da sede francesa, é uma das que oferece o produto. Ele faz parte da linha “garantia de origem”, só de produtos feitos com essa preocupação.
Os bois certificados com “garantia de origem” são bem alimentados e criados por pessoas treinadas por especialistas em comportamento animal para entender como ele pensa e manejá-lo sem violência. “Agora vamos produzir porcos com origem garantida, criados soltos”, diz o veterinário Adolfo Petry, responsável, no Carrefour, pelos produtos animais garantidos com o selo. Produtos assim custam entre 50% e 100% a mais que os convencionais. Apesar do interesse crescente do consumidor em diminuir a crueldade (numa pesquisa feita pela Super na internet, 85% das 2408 pessoas disseram que deixariam de comer alimentos se soubessem que eles causam sofrimento para animais), a procura por esses produtos ainda é muito pequena.
A vaca e a humanidade
A criação de gado foi uma das maiores forças ditando os rumos da humanidade. Essa é a opinião do escritor Jeremy Rifkin, ativista polêmico, vegetariano convicto e pesquisador competente – um dos maiores críticos da biotecnologia e, por tabela, um dos maiores inimigos do establishment científico. Rifkin, em seu Beyond Beef (“Além da carne”, sem versão em português), mostra que devemos muitas coisas importantes ao hábito de criar vacas para matar. Veja algumas delas:
Deus
Algumas das primeiras pinturas nas cavernas representavam vacas. Devemos à carne nossas primeiras manifestações artísticas e, possivelmente, a origem das nossas religiões – essas pinturas são o primeiro registro de uma humanidade preocupada com o mundo espiritual, acertando as contas com os animais que matava.
Diabo
As tribos nômades de cavaleiros que habitavam a Eurásia há 6 000 anos juntavam gado selvagem e o criavam nos pastos naturais. Esses pastores cultuavam um deus-touro, chamado Mithra, símbolo da força, da masculinidade, do poder. A necessidade de pastos novos a cada vez que acabava o antigo fazia deles expansionistas por natureza e, no início da era cristã, eles já tinham se espalhado da Índia a Portugal. Com isso, o culto a Mithra tornou-se muito popular no Império Romano. Para contê-lo, a Igreja adotou sua data sagrada, o dia de Mithra – 25 de dezembro. Estava estabelecido o Natal. Depois, no Concílio de Toledo, em 447, a Igreja publicou a primeira descrição oficial do diabo, a encarnação do mal: um ser imenso e escuro, com chifres na cabeça. Como Mithra.
Grandes navegações
Na Idade Média, a carne raramente era fresca e, por isso, havia muita demanda de temperos para disfarçar o sabor. Ao mesmo tempo, tinham se esgotado os pastos da Europa – não havia mais para onde levar os rebanhos crescentes. Resultado: os europeus caíram no mar em busca de um caminho para as especiarias indianas e de espaço para soltar os bois. Acharam mais espaço do que imaginavam: a América. Hoje, Estados Unidos, Brasil, Uruguai e Argentina têm alguns dos maiores rebanhos do mundo.
Conquista do Oeste
Em 1870, boa parte dos Estados Unidos tinha se transformado em pasto. Mas havia um obstáculo para a expansão. Os campos do oeste americano estavam tomados por hordas de búfalos, que serviam de caça para as tribos indígenas. O governo americano não queria os búfalos, difíceis de manejar, e temia os índios. Adotou, então, uma solução simples: matar os búfalos e, assim, deixar os índios sem comida. É assim que Rifkin resume a heróica “conquista do Oeste”.
Naquela década, matar búfalo foi o que mais se fez na região. Havia “excursões turísticas” nas quais um trem emparelhava com manadas e os passageiros começavam a atirar. As carcaças eram abandonadas ao longo da ferrovia. Cowboys como Buffalo Bill se tornaram lendários por matar até 40 búfalos numa caçada. Em dez anos, as manadas, que eram tão grandes que levavam horas para passar, sumiram. Em 1881, a tradicional Dança do Sol da tribo kiowa foi adiada por dois meses porque os índios não conseguiam encontrar um só búfalo para o sacrifício ritual. Finalmente, acharam um animal solitário e o mataram. No ano seguinte, não encontraram nenhum.
Indústria moderna
No final do século XIX surgiu uma novidade na indústria da carne: a esteira rolante. Em vez de depender de um açougueiro habilidoso, o matadouro podia usar vários funcionários pouco especializados, cada um fazendo um pouco do trabalho, enquanto a carcaça se movia sozinha. Uma “linha de desmontagem”. Um dia, um mecânico que vivia em Detroit foi visitar essa linha. Anos depois, esse mecânico admitiria que a indústria do abate foi uma forte inspiração para a sua própria fábrica, batizada em 1903 com seu sobrenome. O nome desse mecânico? Henry Ford.
Agora é com você. O que vai ser? Brócolis ou cheeseburger?
Nossas crianças sob risco
Marcio Bontempo
Para entendermos bem os efeitos ou a influência da alimentação sobre a saúde dos estudantes e os reflexos desses fatores sobre o aprendizado, devemos dividir a faixa etária infanto-juvenil segundo a sua classe social ou econômica.
No entanto, devido à alimentação industrializada - empobrecida nutricionalmente e rica em aditivos e componentes nocivos - há uma diminuição qualitativa da saúde em todas as classes sociais, determinando alguns problemas comuns de saúde como cárie dentária (menor nas classes mais abastadas devido à possibilidade de assistência odontológica particular, mas com tendência praticamente igual pela falta de escovação após as merendas e lanches), desmotivação, dificuldade de aprendizagem, ansiedade e doenças crônicas.
Estes dados importantes são motivo de discussão entre autoridades sanitárias e educacionais. A maior possibilidade de acesso por parte das crianças e adolescentes das classes média e alta a alimentos industrializados e proteínas animais condicionadas (ou mesmo as comuns) os expõe a perigos bem maiores, ou seja, doenças degenerativas produzidas pelo excesso alimentar, como o câncer em geral (a leucemia, em particular) as doenças reumáticas, o diabetes e as síndromes de incidência mais recente, como mieloma múltiplo, miastenia gravis, artrite reumatóide e doenças autoimunes em geral. Isso pode ser facilmente comprovado se observarmos estatísticas oficiais que mostram maior incidência de doenças degenerativas e crônicas nos países mais desenvolvidos que adotam a dieta industrializada.
Por isso, mesmo que as classes mais pobres possuam uma dieta mais carente, são menos expostas às doenças degenerativas. Em outras palavras, as classes mais favorecidas apresentam qualidade biológica menor. Certamente, por conta da alimentação industrializada, este quadro se inverteu e surpreendeu a muitos nutricionistas e autoridades sanitárias, pois até há pouco tempo acreditava-se que uma alimentação pobre em nutrientes era a causa de numerosas doenças. Hoje, as estatísticas apontam que há mais riscos de doenças com uma alimentação excessiva do que com uma carente. Some-se a isso o fato de que as classes mais pobres geralmente têm acesso a certos alimentos hoje considerados como funcionais ou como fonte de elementos protetores da saúde, como folhas verdes, hortaliças, frutas regionais, rapadura, farinhas, cereais naturais etc.
Em contraste, as classes mais ricas acostumaram-se a consumir produtos altamente elaborados: enlatados, empacotados, fritos, ricos em colesterol e açúcar como os chips, a salsicharia, o presunto, os laticínios gordurosos, o pão branco, os cereais matinais empobrecidos em nutrientes, mas repletos de sacarose e aditivos, a proteína animal além das necessidades do organismo e outros de difícil aquisição pelas classes mais pobres devido ao custo elevado.
Infelizmente há, no entanto, alguns produtos industrializados de baixo custo – repletos de corantes, aromatizantes e conservantes, gorduras trans, calorias vazias e colesterol, principalmente em guloseimas, chips, doces, sorvetes e refrigerantes – e de fácil acesso também às crianças pertencentes a classes mais pobres, o que expõe uma classe intermediária a maiores problemas que as classes situadas nos extremos de uma escala social e econômica, pois além de uma dieta carente, absorvem também produtos químicos artificiais prejudiciais. De qualquer modo, todas as crianças e adolescentes estão sujeitos a problemas de saúde que põem em risco a saúde e, conseqüentemente, a capacidade de aprender.
Neste ponto, somos forçados a aceitar que muitos desses problemas dependerão de aspectos individuais, de fatores familiares, genéticos, raciais, culturais, regionais e de idiossincrasias de cada organismo. A pergunta é: até que ponto as carências nutricionais, bem como os efeitos da má alimentação e da alimentação industrializada são responsáveis ou contribuem para a desmotivação, o baixo rendimento escolar, a reprovação e o abandono dos estudos? E até que ponto são esses fatores resultantes de uma saúde geral deficiente, também motivados pela dieta precária ou rica em aditivos debilitantes? Esta pergunta abre caminho para outra: temos condições de avaliar completa e amplamente todos os efeitos negativos da alimentação industrializada, principalmente aquela consumida nas escolas e nos lares, sobre os organismos das crianças e jovens? Isso nos leva a mais uma pergunta preocupante: até que ponto a má qualidade alimentar, em todas as faixas sociais de alunos, está prejudicando a qualidade de ensino no Brasil?
Enquanto não pudermos responder a estas perguntas, devemos procurar meios para melhorar a qualidade e a quantidade do que os nossos filhos, alunos e estudantes estão comendo. Antes, apenas as deficiências de ferro, de cálcio, vitaminas A e proteínas eram motivo de atenção e estavam diretamente envolvidas com numerosas situações anômalas capazes de produzir tais efeitos. Atualmente, a alimentação industrializada é mais um elemento desse conjunto.
Todos os problemas relacionados a este tema, dada a sua gravidade e urgência, envolvem atenção e participação de pais, educadores, autoridades sanitárias, empresários da produção e fornecimento de alimentos, médicos, nutricionistas e da mídia.
É urgente a firme tomada de posição e estudos mais sérios quanto ao tipo de substâncias e compostos ingeridos pelos nossos alunos. Sabemos dos riscos da diminuição da capacidade de aprendizagem e da capacidade intelectual que muitos alimentos podem produzir e também dos riscos que tudo isso representa quanto ao futuro da nossa nação. Precisamos nos conscientizar e atuar, em conjunto, na defesa da saúde e da qualidade de vida e aprendizagem da faixa etária do povo que formará o nosso futuro.
Dr. Márcio Bontempo, médico e clínico homeopata, especialista em saúde pública e pós graduado em nutrologia. É autor de 59 obras sobre saúde e membro ativo da Associação Brasileira de Medicina Complementar, www.medicinacomplementar.com.br
QUERO - DEVO - POSSO
Meu querido amigo, xará e filósofo Mario Sergio Cortella costuma pregar que, em ética existem três princípios : QUERO - DEVO - POSSO.
Onde, nem sempre as coisas que eu QUERO , e eu POSSO; e nem sempre o que eu POSSO, eu DEVO; como também tem coisas que eu POSSO, mas não DEVO e eu QUERO. Outras coisas , eu DEVO, mas não QUERO, entretanto eu POSSO.
A ética é algo que precede a moral, mas esta - a moral - nem sempre depende da ética. O que é ético representa o desejável, e o que queremos atingir.
A moral é algo que envolve o conjunto de preceitos ou regras para dirigir os atos humanos e segundo a justiça e a equidade natural, dentro dos bons costumes. Agora, o que é moral aqui para este país, não o é para outro país ou continente. Isto porque, nem sempre o que é moral é ético e o que é ético e verdadeiro. Como também nem sempre o que é ético é lei, mas pode ser moral, embora o que é moral nem sempre é lei ou ético.
A ética é um termo genérico que designa o que é frequentemente descrito como " ciência da moralidade", mas é suscetível ao ponto de vista do bem e do mal. Logo depende daquilo que chamamos de espírito, ou pela neurociência da consciência.
O comportamento ético é aquele que é considerado bom, e por falarmos em bondade e justiça o que é bom para o gato, não pode ser bom ao rato, e o que é bom ao rato, fatalmente não o será para o gato. Temos aqui um dilema ético, mas não moral; o gato precisa comer e o rato precisa viver. Ambos estão certos.
Dessa forma a ética determina o que é bom tanto para a sociedade, como para o indivíduo. O homem vive em sociedade, e convive com outros homens portanto, ele sabe como deve agir perante os outros !? Fácil de falar, mas difícil de executar . Porquê?
Ora, envolve a questão Moral e Ética.
A ética é o julgamento do caráter de uma pessoa. A moral é norma de vida para uma pessoa. Portanto, QUERO e POSSO, mas não DEVO; entretanto POSSO e não QUERO, porque DEVO.
Se não praticarmos o Amor incondicional , não conseguiremos entender ética e moral, verdadeiro e justo, certo e errado.
Mario Rodrigues
Porque discutir qual a melhor idade para educar, se ouvimos a vida toda “ a educação vem do berço...”. Pois é, este é o dilema. Ou não?
Claro que não, porque a educação que vem do berço é a moral, ou seja o conjunto de normas de condutas considerados e aceitos como válidos para determinados grupos, famílias ou pessoas; e que comporão conceitos e valores pessoais.
E, a educação que vem da Escola é a cultural de conhecimento. É aquela que o individuo aplica a inteligência ( aqui utilizada como destreza mental ) para aprender um conjunto de informações adquiridas pelo estudo, pesquisa e experiência de determinados setores das ciências.
Portanto, a educação de berço, ou familiar, é constante em nossas vidas e importante, pois é através dela que formamos uma boa parte das características sociais de nossa personalidade, como também as somatizações patológicas emocionais. Embora algumas famílias procurem se eximir dessa responsabilidade, dando procuração social à Escola, para exercer tal papel. Não estou levando em consideração aqui o quadro atual de dificuldades desta expressão.
A educação da escola é modulada e fracionada ao longo da vida, entretanto, tão importante como a familiar, e aqui cabe uma polêmica, a escola deve ou não educar, pode e deve só ensinar as ciências? Coloco minha visão de profissional em Terapia psicossomática e comportamental:-
Acredito de grande valia para a formação e complementação das características que determinarão a individualidade da pessoa moral - e que a distinguirão de outra - a aplicação pela Escola do ensino das ciências assim como a pratica da educação ; deve e pode também educar. E, sem o jogo de “empurra com a barriga” para o lado do outro, a família para o Estado, este para a Escola e esta para a família.
Mas, não cabe aqui dispor sobre esse porém, mas sim qual a melhor idade para iniciar um aprendizado escolar, ou melhor ainda para se colocar uma criança na escola?. O trauma dos primeiros dias, a separação dos pais, aquela coisinha linda e pequenina já iniciando uma responsabilidade, isso é viável e útil ? E o que mais aflige os pais:
Estarei pensando somente em mim para tomar essa decisão!?
São perguntas fáceis, e de respostas sem certezas ou absolutas; mas podemos refletir sobre elas. Há cerca de alguns anos atrás a ciência pedagógica e da saúde mental estipulava limites de idade para colocar uma criança na escola. Embora difíceis de executar, porque o ano possui doze meses e uma criança que completa três anos em janeiro de determinado ano, não esta na mesma idade da criança que completa três anos em dezembro do mesmo ano da outra, que dificuldade !
Aí, para colocar uma pitadinha de complicação, a criança onde pais, babás , e parentes interagem pedagogicamente ( ou seja a palavra correta é mamadeira e não “mama”, é papai e não “pa”, e assim por diante), produziam referências e necessidades diferentes das crianças onde, esses mesmos seres , interagem papalvos e embasbacados ( conversam com a criança de forma “bebezóide” ,como bonecos: “dá a mama pra mamã poder trocar o pipi”, e assim por diante), criando valores e conceitos diferentes; embora estejam na mesma idade física cronológica.
Vamos condimentar com mais enlaces de raciocínio, temos os pais que ensinam todas as capitais da América do Sul, a escalação do time de futebol preferido, todos os nomes dos participantes de um reality show, e baseados “nessa capacidade” dos filhos, desejam e exigem que seus filhos já devem ler e escrever agora!
Sempre pode-se complicar um pouco mais, como tudo na Vida, então vamos lá: e os pais que desejam preparar os filhos para o mundo “competitivo” e possuem a certeza absoluta que se ensinar uma língua estrangeira ao três anos junto com a língua nacional, matricular o filho em uma escola de lutas marciais e , ao mesmo tempo, ensinar a dirigir um veículo motorizado “possuirão” um super homem em casa, capaz de enfrentar tudo e todos. E aí ? o que fazer !?
Mas eu gosto de condimentar , assim a degustação do conhecimento é mais proveitosa, então vamos ter os pais que acreditam e tem certeza que o carinho, aconchego do lar, a exclusividade afetiva do parente são suficientes , até os seis anos para educar e ensinar seus filhos, esta atitude irá propiciar aos rebentos auto estima e valores familiares importantes.
Quem está com a razão?
A ciência consiste em somar conhecimentos práticos e sistematizá-los para um determinado fim. Magnífico. Só que essa sistematização dura até que, um novo argumento ou contestação seja aceito e sistematizado novamente. Por isso, não é fácil encontrar consensos e afirmações, principalmente em saúde . Não existem dados que garantam este ou aquele argumento para o que é saudável e benéfico.
Bem, as escolas, em sua grande maioria atentas a esses anseios paternos, criaram ofertas de educação e alfabetização precoces. Chegando e podendo às vezes, essas ofertas, serem colocadas como um valor qualitativo da entidade escolar e, ou também como chantagens emocionais de uma mídia consumista e gananciosa.
E qual atitude é a melhor? O que é bom para as crianças?
Para tanto é necessário analisar na criança e família, o contexto da Vida, levando como referência e consideração o principal interessado que, com certeza, não são os pais, mas sim o filho. É uma decisão que tem de ser tomada de forma consciente e com sensatez, fazendo com que os pais sintam-se seguros dela.
Devemos levar em consideração as expectativas paternas que acabam gerando angustias e ansiedades bilaterais (pais-filho), que são sentidas pela criança, embora não conseguindo contextuar, reagem em oposição ou similaridade ao sentimento. Basta analisarmos a situação onde , crianças começam a receber o ensinamento da leitura e escrita por volta dos três anos, algumas irão demorar para executar a tarefa, e serão tachadas com dificuldade de aprendizagem, e encaminhadas imediatamente a um profissional para análise psico-emocional. Não se observa se estas crianças não estão prontas ao processo ou se não querem o processo , mas sim que, tem de engolir o processo.
Às vezes pais nos procuram preocupados e aflitos, porque seus filhos não lêem ou escrevem, assim como os filhos de colegas e amigos ! Existe dificuldade da criança ou falta entendimento aos pais do real momento infantil .As escolas foram formatadas na metodologia da média, ou seja se preparam para atender crianças que estão dentro da média ; deixando de lado as que possuem um ritmo diferente de aprendizado e maturidade psíquica . As suspeitas de “ transtornos” , são das crianças que estão fora da norma, ou seja da média.
Outras vezes, somos procurados por pais que externam o medo de que, o filho deles de cinco anos adora brincar de tudo, entretanto o da família amiga de mesma idade, discute com o pai sobre futebol e os desandos políticos.
Não podemos esquecer que, participar dos problemas do mundo em virtude dos mesmos se intensificarem hoje e não mais conseguirmos isolar nossos filhos, é uma realidade.. Agora inserir uma criança intencionalmente neles é outra completamente diferente.
A criança tem o direito de ser criança, isto é muito importante, é uma fase muito pequena da Vida mas com real interferência na formação conscencial deste ser. Se desejar ler, ela pode fazê-lo mas como brincadeira, não como responsabilidade; se desejar discutir sobre determinado assunto, deve sim esclarecer e informar, mas levando em conta que é uma criança (cuidado com o “bebezóide”), sem impingir responsabilidades e preocupações não inerentes a ela. Brincar livremente é um ato de sabedoria. Acelerar processos conscenciais por usura é ganância por possuir “o melhor”, “o vencedor”.
O ato de escolher e decidir, pode não ser fácil, mas é intrínseco ao ser humano, pois ele foi e sempre será dual, o planeta tem essa dualidade, portanto exige decidir qual lado deseja. E quando diz respeito a decidir futuro ficamos inseguros.
Entretanto nossa preocupação deveria ser em dar exemplos do que queremos, pregar e fazer o que acreditamos. De que adianta falar ao filho que é contra a violência, se ao levar uma “fechada” no transito, abrir rapidamente o porta luvas e tirar uma peça de metal para agredir o carro do outro. Qual o valor em proibir e fazer discursos sobre o cigarro e drogas para o filho, se você vai fumar na janela do apartamento “para não incomodar”, ou toma bebidas “energéticas” para agüentar o trabalho.
Ao darmos exemplos, conseqüentemente atrairemos respostas opostas, e dentro destas a sinalização de qual o melhor momento para isto ou aquilo, qual a maturidade daquele ser que nos representa em miniatura. Com estas respostas em mãos, nossa decisão será adequada, não importando a idade da criança, mas o grau de estudo que ela precisa estar naquele momento. E, seja qual for a decisão, deverá ser seguida sem culpas, mas sim satisfações.
Os pais ficam submetidos a uma prensa conscencial; de um lado suas aspirações sociais em relação à vida escolar do filho, de outro a mídia bombardeando com vários métodos e processos educacionais. O “ranking” de resultados das escolas é um complicador nesse momento.
Estamos em um mundo competitivo, mais cedo ou mais tarde a criança convive com esta realidade. E iniciar precocemente a vida escolar não proporcionará ter êxito nessa competição ou não, as pesquisas e estudos comprovam. É a maturidade conscencial e sua capacidade de agir sob pressão que mostrarão resultados, viemos ao mundo para fazer a diferença e interagir com o mesmo, não para sermos o melhor. A final o melhor e o primeiro é um só, e somos bilhões de seres; o que faremos com o resto. Temos que saber resolver, ou procurar solução daquilo que nos propomos. Agir e realizar com amor o que fazemos; respeitar direitos e cumprir deveres; mas tudo isso dentro de uma humanidade madura e consciente.
Vamos pensar no hoje, aqui e agora. A criança precisa socializar-se já na educação infantil, com plenitude de liberdade para aprender, explorando o mundo à sua volta dentro da sua necessidade; isto deverá gerar segurança e confiança no que deseja, acompanhada por adultos, nunca gerenciada por, ou gerenciando estes.
Temos nesta fase o triângulo sagrado da maturidade vivencional, em um lado o meio onde a criança vive com os coleguinhas; do outro os adultos responsáveis por dar parâmetros conceituais e sustentação; e por último conviver consigo mesma dentro de suas limitações e possibilidades. Ouvindo o Não quando precisa, encorajamento se necessário e levantando sempre que o obstáculo a derrubar. A frustração em não poder ser atendida no que “ queria ali e agora” , dará o grau de resiliência para a Vida, e o combustível para manter a direção no caminho de cidadão.
Deve a criança dedicar um tempo e espaço ao brincar e sociabilizar junto as outras crianças ; cortar etapas pulando a infância, teremos adultos problemáticos lá na frente, e isto na maior parte por anseios adultos . A função e o espaço que a escola ocupa na vida de nossos filhos devem ser claro e pontual a eles, nunca para nós. Depositar o filho na porta da escola de manhã e só retirar à noite, é extinguir da vida deste a relação família e a construção de valores da Vida; essa experiência é importante. Entretanto não podemos sacrificar avós e tios por que nós geramos um filho. A convivência babá, família, escola e sociedade são necessárias. A criança não pode sentir-se abandonada, bem como os pais devem ser atendidos em suas necessidades do dia a dia.
Estamos assistindo a tecnologia avançar a passos largos, a televisão, a informática, os meios de comunicação tudo é efêmero, fugaz. Essa tecnologia toda ajuda a nós seres carnais ( e não tecnológicos) em nossa evolução material, não conscencial. Desenvolve os nossos princípios morais de respeito e convivência. As atuais ferramentas disponíveis – vídeos jogos, MSNs, orkuts, celulares e outros- , nos tornam maduros para enfrentar os bancos acadêmicos precocemente.
Entretanto, qualquer tecnologia não substitui o contato com a realidade, não substitui a necessidade de resolver e agir pois estamos presentes, não podemos “deletar” simplesmente.
Não existe idade ideal para iniciar a escolarização, deve-se levar em conta as condições familiares, as condições pessoais da criança, sua posição e predisposição em freqüentar a escola.
É uma decisão bipartite ( pais-sociedade) e que deve , após ser tomada, criar uma zona de conforto e atuação. Nunca de angustia e opressão.